Campanha de Lula critica demora de Nunes Marques, e coordenador de Flávio ataca decisão de Zanin que prorrogou votação

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou por duas horas o fim da votação em segundo turno gerou reações opostas nas campanhas Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Enquanto o PT apoiou a posição do magistrado e passou a criticar a "omissão" do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, o coordenador da campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN), acusou Zanin de "tumultuar" o processo eleitoral.

Em segundo despacho, Zanin determinou que a prorrogação do horário seja válida apenas nas seções onde as urnas ainda não foram fechadas. Aliados do senador do PL questionam a medida, tomada no dia da eleição, e avaliam que a mudança gerou uma confusão desnecessária na reta final do pleito.

Já coordenadores da campanha do petista passaram a defender a votação em cédulas de papel para urnas que já haviam sido fechadas às 17h. Também atacaram a demora de Nunes Marques de tomar uma decisão diante das denúncias de falta de transporte público gratuito em algumas regiões do país.

Em publicação nas redes sociais, Marinho tratou a situação como vergonhosa. “Decisão vergonhosa e intempestiva de um ministro do STF que era advogado do atual presidente , que toma decisão às 17 horas e um minuto após o encerramento das eleições .

Ação inexequível para tumultuar o processo de uma eleição que eles já perderam no voto. Eleição para o PT É aquela que eles ganham, quando eles perdem é ditadura.

Lamentável”, escreveu Marinho, nas redes sociais. O coordenador-geral da campanha de Lula e presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que as pessoas que chegarem aos locais e encontrarem as seções fechadas devem votar em cédulas de papel.

O dirigente petista disse que não há no momento intenção de tomar novas medidas jurídicas. — Quem aparecer vai ter que votar em papel se fechou a urna.

Edinho ainda acrescenta que o episódio da falta de transporte em algumas cidades do país “não pode ficar impune”. O ex-ministro da Casa Civil Rui Costa disse ao GLOBO que procurou Nunes Marques no começo da tarde relatando o cenário de Salvador.

O próprio político esteve em garagens de empresas de ônibus e constatou que grande parte dos veículos estavam parados ali. Na avaliação do político, a decisão de Zanin é “inócua” e falta uma orientação do TSE para garantir que as votações ocorram, já que há relatos de urnas fechadas e boletins emitidos —o que, em tese, impediria a reabertura da votação.

Ele diz que o momento é de “grande imbróglio” diante dessa falta de previsibilidade da Corte e não descarta a sugestão de realizar uma eleição complementar. A posição do ex-ministro é pessoal, ainda não há discussão disso na campanha.

— Como faz agora? Muitos já tinham saído da sala, as urnas foram fechadas. Já é difícil você mobilizar eleitor para votar.

Agora vamos tentar fazer com que eles voltem às urnas. O que não pode acontecer é a vontade de prefeitos e de empresários de ônibus prevalecer sobre a vontade da Justiça Eleitoral.

Isso é um escândalo, tem que ter penas graves para quem cometeu esses crimes eleitorais— afirmou. O ministro José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais) afirmou em publicação nas redes que a atuação de Nunes Marques foi "caótica" ao longo do processo eleitoral.

Ele disse que é preciso apurar as responsabilidades e "corrigir os erros" para que seja respeitada a "vontade do povo", sem "intimidações, interferências ou obstáculos ao exercício da cidadania". Aliados de Flávio ponderaram, porém, que a ampliação nacional do horário foi menos prejudicial, na avaliação deles, do que seria uma extensão restrita a estados de uma região específica.

O senador eleito pelo Rio de Janeiro Carlos Jordy (PL), que chegou ao local onde Flávio acompanhará a apuração, criticou a decisão e afirmou que a medida aumenta a rejeição da população à atuação do Judiciário. — Isso só faz com que a população tenha mais ojeriza, mais repulsa a esse modo como ele vem governando o nosso país — disse Jordy, ao criticar a atuação de Zanin.

Nos bastidores, interlocutores avaliam que a medida pode abrir um precedente para questionamentos judiciais sobre o processo eleitoral, embora não haja, até o momento, uma decisão da campanha de contestar a eleição na Justiça. A campanha de Flávio também havia apresentado pedidos para estender o horário de votação em localidades de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Paraná, sob a justificativa de dificuldades provocadas pelo mau tempo.

Aliados ressaltam, contudo, que as solicitações eram restritas a áreas específicas e não previam uma ampliação nacional do horário.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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