Campanha de Flávio explora reportagem que associa Vorcaro a Lula; PGR e PF desmentem

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Fonte da notícia: Valor Valor

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto pretende explorar a reportagem da revista "Veja" sobre um suposto áudio no qual o ex-banqueiro do Master Daniel Vorcaro afirmaria ter liberado dinheiro para um filme sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em troca de negócios no governo, em uma tentativa de desgastar o adversário petista a poucas semanas do segundo turno das eleições.

A Procuradoria-Geral da República, a Polícia Federal e mesmo a defesa de Daniel Vorcaro negam a existência de depoimentos do investigado e não reconhecem a autenticidade do suposto áudio.

Segundo a reportagem da revista, o áudio teria sido anexado à proposta de delação premiada. A Procuradoria-Geral da República (PGR), no entanto, negou a informação e a existência do depoimento de Vorcaro. Segundo o órgão, não houve contato direto nem depoimento oral do investigado, pois a proposta de delação premiada foi rejeitada por motivos informados à defesa.

"Todas as propostas formalizadas pela defesa foram recebidas na forma como livremente elaboradas por ela, sem juízo nem recusas prévias. Não houve interlocução direta de Vorcaro com qualquer representante da PGR. Não houve depoimento oral de Vorcaro, justamente por conta da rejeição da proposta, cujos motivos foram expostos à defesa", disse a PGR em nota.

A Polícia Federal também negou as informações. "A Polícia Federal esclarece, em relação à reportagem intitulada “Vorcaro conta que liberou dinheiro para filme sobre Lula por negócios no governo”, publicada pela revista Veja, nesta sexta-feira (9/10), que Daniel Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito", diz a corporação em nota.

A PF afirma ainda que as propostas de colaboração premiada que foram apresentadas à corporação pela defesa do investigado não foram acolhidas "em razão do não atendimento aos requisitos legais, conforme decisão fundamentada de conhecimento da defesa".

Já a defesa de Vorcaro repudiou em nota a divulgação dos supostos anexos. “A defesa não confirma o conteúdo de qualquer material divulgado, cuja origem, autenticidade e integridade não são reconhecidas. O material preliminar da colaboração foi disponibilizado a um número restrito de autoridades que possuem dever legal de confidencialidade. A defesa esclarece que Daniel Vorcaro não prestou nenhum depoimento à PF ou à PGR no âmbito das tratativas de colaboração premiada”, diz o texto assinado pelos advogados Sérgio Leonardo e Engels Augusto Muniz.

Mobilização A estratégia bolsonarista envolve a mobilização de apoiadores em uma ação coordenada nas redes sociais. A orientação é concentrar as publicações no mote “O do Lula foi por fora” e colocá-lo entre os assuntos mais comentados do X.

No grupo “Tropa do Flavio”, criado depois que a militância petista lançou o grupo de WhatsApp “Exército do Lula”, foram distribuídas mensagens como: “Bora pra cima galera, todo mundo no X comentando O DO LULA FOI POR FORA” e “Levantem no X, O DO LULA FOI POR FORA”.

Em seguida, veio a instrução “temos que manter o nosso no topo”. O comando foi acompanhado de uma captura de tela na qual a frase aparecia em primeiro lugar entre os assuntos do momento, à frente de “Se o Flávio vence você perde”.

O canal no WhatsApp reúne 824.138 seguidores e é usado para coordenar a mobilização nas redes, com discurso e estratégia unificados. Fenômeno digital da direita a um dos responsáveis pela estratégia de redes sociais dessa etapa da campanha, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) também gravou um vídeo em que aparece tomando Coca-Cola e ironizando o áudio que associa Vorcaro ao financiamento do filme sobre Lula.

Na publicação, o deputado mineiro relativiza o áudio vazado que demonstra ligações dele com Vorcaro, em que Nikolas pede ajuda de Vorcaro para liberar um ativo minerário de interesse de seu amigo, o ex-assessor Thiago Resende. "Só queria dizer que no meu áudio vazado, que seria uma bomba, não tem nada a respeito de valor, contrato e eu nunca recebi um tostão desse cara, agora o do Lula...", diz o deputado. Ao final, na peça publicada hoje afirma: “Até a vitória”.

A estratégia busca emplacar o argumento de que o caso Dark Horse, que envolve o financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro por Vorcaro foi um patrocínio privado. O assunto foi um dos principais desgastes para Flávio na campanha.

Quando é questionado sobre o destino do montante que foi realmente pago por Vorcaro ao filme, Flávio responde que cabe à produtora prestar contas sobre o tema, e alega que isso foi feito após a empresa responder à Justiça de São Paulo.

O candidato também tenta se afastar do ex-banqueiro ao destacar que se tratou de um pedido de investimento privado a um ente privado, embora o Master tenha recebido aportes de fundos de previdência de servidores públicos. Mesmo com as revelações de que chamou o ex-dono do Master de “irmão” e, também, visitou o banqueiro após sua prisão, Flávio nega que tenha oferecido qualquer contrapartida. O parlamentar, contudo, é um dos investigados pela PF por suspeita de lavagem de dinheiro e de corrupção no financiamento do filme, em um inquérito aberto após autorização do ministro do STF André Mendonça.

A reportagem da Veja cita supostos áudios e documentos nos quais o ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmaria ter repassado R$ 30 milhões em dinheiro vivo ao Instituto Lula para financiar um documentário sobre o presidente. O banqueiro teria relatado ainda, segundo a publicação, que os pagamentos envolveram tratativas com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto em troca de acesso a fundos de pensão federais.

AGU A Advocacia-Geral da União (AGU) também se manifestou em nota e afirmou que vai solicitar à Veja direito de resposta e retificação das informações veiculadas. “A providência será adotada após análise do requerimento encaminhado pela Casa Civil da Presidência da República e pelo Ministério da Saúde, bem como dos esclarecimentos prestados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e pela Polícia Federal (PF)”.

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