Campanha de Flávio envia relatório ao TSE após mapear 2,4 mil conteúdos de risco em dez dias

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) enviou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um relatório de segurança que mapeou 2.463 conteúdos considerados de risco contra o candidato à Presidência em um intervalo de dez dias. O documento, encaminhado ao presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, aponta 898 ameaças explícitas contra a vida ou a integridade física do senador e outros 141 registros com referências a ocasião, presença, meios ou preparação para ataques. O levantamento foi consolidado em 15 de agosto e abrange publicações monitoradas entre os dias 5 e 14 deste mês. Do total, 36,5% foram enquadrados como ameaças explícitas; 29,3%, ou 721 registros, como incitação à violência; 28,5%, equivalentes a 703 publicações, como referências codificadas associadas a ataques ou lesões; e 5,7%, ou 141 casos, como “planejamento ou oportunidade”. No documento encaminhado ao TSE, Flávio afirma que seu núcleo de segurança detectou um aumento significativo de situações classificadas como de risco à sua segurança pessoal desde o lançamento de sua candidatura. A campanha diz enxergar uma “escalada violenta” na disputa e pede a Nunes Marques que, na condição de presidente do tribunal, adote as providências que considerar cabíveis. "Relatório de segurança consolidado em 15/08 e abrangente do período de 05 a 14/08 dá conta de 2.463 conteúdos de risco dirigidos ao candidato Flávio Bolsonaro, classificados em níveis críticos, alto, moderado e baixo. A classificação considera elementos como manifestação de desejo de morte, incitação ou conclamação à violência, ameaça direcionada, indícios de intencionalidade e referências a planejamento, oportunidade ou condições para a execução de ataques", afirma o documento. O relatório recomenda prioridade na análise das ameaças explícitas e dos registros associados a planejamento ou oportunidade. Também orienta reforçar efetivo, perímetros, rotas, inspeção de objetos e protocolos de proteção nas agendas públicas do candidato. Os registros identificados pelo monitoramento foram submetidos à Polícia Legislativa do Senado para análise. Segundo o documento, quando são constatados indícios de crime, há formalização de ocorrência e adoção das providências investigativas e judiciais cabíveis. Facada do pai em Juiz de Fora O relatório destaca entre os episódios de maior preocupação a passagem de Flávio por Juiz de Fora (MG), cidade onde Jair Bolsonaro sofreu uma facada durante a campanha presidencial de 2018. Foram documentadas 19 manifestações consideradas representativas no Facebook e no X, com referências ao atentado de 2018, menções a faca e tiro, alusões a um “Adélio 2” e propostas de agressão presencial com ovos podres e dejetos. A publicação considerada de maior gravidade dizia “dessa vez deixa comigo”, acompanhada por emojis de faca. De acordo com o relatório, o suspeito morava a aproximadamente 400 metros do local previsto para o evento de Flávio e tinha registros anteriores relacionados a agressão, lesão corporal e ameaça. O senador acabou cancelando o compromisso que tinha nesta segunda-feira na cidade devido ao mau tempo. A identificação feita pela Polícia Legislativa resultou em quebra de sigilo telemático, busca e apreensão e condução do suspeito para depoimento. Ele também foi alvo de medida cautelar que o proíbe de se aproximar a menos de 500 metros do senador, de sua residência, de seu local de trabalho ou de eventos públicos dos quais Flávio participe. Campanha relaciona cenário a falas de Lula No relatório enviado ao TSE, a campanha também relaciona o agravamento do ambiente de hostilidade a declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O documento cita duas ocasiões, em 2 de junho e 20 de julho, nas quais Lula usou a expressão “antigamente traidor era enforcado”. A equipe responsável pelo monitoramento sustenta que a repetição da expressão pode ser interpretada por grupos radicalizados como um “apito de cachorro” para ações contra a integridade física do candidato. "Na avaliação da equipe responsável pelo monitoramento, a repetição da expressão pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2 de junho e 20 de julho de 2026, pode operar como um “apito de cachorro”, elevando a hostilidade de grupos radicalizados contra opositores mencionados no discurso", diz o relatório.

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