O senador Camilo Santana (PT) negou ter sido contrário à presença de Luizianne Lins (Rede) na chapa do governador Elmano de Freitas (PT). Apesar do histórico de atritos, Camilo afirmou não haver “arestas pessoais” entre eles. Questionado por jornalistas, o parlamentar disse que tratou dos “problemas” diretamente com a deputada federal e completou: “Diferente dela, que expõe publicamente”.
Datafolha: Ciro Gomes lidera corrida pelo governo do Ceará com 52%, enquanto Elmano marca 33% Em Pernambuco: Suplência em chapa ao Senado abre crise entre Marília Arraes e presidente da Assembleia — Não tem arestas pessoais. A minha diferença é que os meus problemas com ela, eu trato com ela. Nunca publicizei, até porque eu a considero uma grande mulher, uma ex-prefeita, uma deputada federal, que tem uma história de luta. Fomos contemporâneos da universidade. Então, as questões que ela tem em relação a mim e eu em relação a ela, a gente trata isso em casa, como dizemos. Diferente dela, que expõe publicamente, eu não faço — afirmou Camilo.
A declaração ocorreu na quarta-feira, quando o senador foi questionado se estaria nas fotos oficiais da candidatura de Lins ao Senado. A ex-prefeita deixou o PT em abril, após 37 anos, diante de uma série de desgastes com lideranças do partido no estado, incluindo Camilo.
— Por que não? Você ouviu alguma vez eu falar que eu tinha objeção a ela? — disse.
Lins foi oficializada na chapa de Elmano no dia da convenção petista. A ex-prefeita havia deixado o PT justamente por não ter encontrado apoio para disputar o Senado.
Composição com federação Camilo afirmou que “sempre” defendeu que a prioridade para a composição ao Senado na chapa de Elmano era com a federação União-PP. Porém, uma decisão judicial impossibilitou que membros das duas siglas estivessem no palanque do governador.
No dia 4 de agosto, o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) rejeitou uma ação movida por aliados de Elmano que buscavam anular o apoio da federação a Ciro Gomes (PSDB), que também disputa o governo estadual.
O PT buscou formas de fortalecer a chapa de Elmano nos últimos meses, em uma articulação que conta com o ex-governador Camilo Santana na linha de frente. Uma das frentes de ação foi a costura da candidatura do senador Cid Gomes à reeleição, colocando os irmãos Ferreira Gomes em palanques opostos. Segundo Camilo, após a presença da federação ter sido descartada, Lins foi considerada “a melhor candidata” para fortalecer a chapa de Elmano.
— Vocês sempre vão ouvir de mim sobre a Luizianne, que é uma mulher guerreira, uma mulher que tem uma história de luta, defensora da democracia, daqueles que mais precisam no estado do Ceará e no Brasil. Para mim, é a nossa candidata senadora e vamos trabalhar muito para elegê-la.
Troca de partido A falta de apoio à uma candidatura ao Senado foi a gota d'água para que Lins deixasse o PT.
O conflito escalonou com as eleições municipais de 2024. A parlamentar passou a ter divergências com o diretório petista no Ceará após colocar o nome à disposição do partido para disputar a prefeitura da capital do estado em 2024.
O escolhido pela sigla para concorrer ao cargo, no entanto, foi o então presidente da Assembleia Legislativa, Evandro Leitão, que havia migrado do PDT para o PT em 2023 e tinha apoio de Camilo.
Durante a campanha, a Lins chegou a relatar que havia sido barrada de subir no palco durante uma agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Fortaleza. Ao final da disputa, Leitão foi eleito depois de ir ao segundo turno contra o deputado federal André Fernandes (PL-CE), candidato apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O Globo