Câmara se prepara para eleição ao TCU que vai testar força de Motta e realiza sabatina dos candidatos
A Câmara dos Deputados realiza, nesta segunda-feira, a sabatina dos indicados a uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU) na Comissão de Finanças e Tributação (CFT), às 14h. A etapa antecede a votação em plenário, prevista para terça-feira, quando os parlamentares devem escolher, em voto secreto, presencial e em turno único, o nome que ocupará a cadeira na Corte de contas.
A vaga em disputa é a do ministro Aroldo Cedraz, que se aposentou em fevereiro deste ano. Ao todo, sete parlamentares disputam a indicação: Danilo Forte (PP-CE); Hugo Leal (PSD-RJ); Elmar Nascimento (União Brasil-BA); Gilson Daniel (Podemos-ES); Odair Cunha (PT-MG); Soraya Santos (PL-RJ); e Adriana Ventura (Novo-SP).
A escolha vai testar a força do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que apoia Odair Cunha.
No campo da oposição, o PL chegou a trabalhar com a indicação do deputado Hélio Lopes (PL-RJ), mas recuou e passou a apoiar o nome de Soraya Santos (PL-RJ). A mudança foi defendida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que argumenta a favor da ampliação da presença feminina em tribunais superiores, hoje sem representação de mulheres no TCU.
Na CFT, o deputado Emanuel Pinheiro Neto (PSD-MT) será o relator das indicações. Cada candidato terá até 10 minutos para uma exposição inicial e, em seguida, os membros da comissão poderão fazer perguntas. O colegiado, no entanto, tem caráter apenas consultivo, e todos os nomes seguem para deliberação do plenário.
A eleição demorou a ocorrer porque Motta estava resistindo a marcar a data. Segundo interlocutores, ele evitou pautar a disputa diante do risco de que Odair Cunha não reunisse votos suficientes, o que poderia colocar em xeque sua capacidade de articulação na Casa.
Nos bastidores, a definição da vaga é tratada como um teste de força para Motta, que precisa cumprir o acordo firmado com o PT para viabilizar a eleição de Cunha. O compromisso foi fechado em 2024, com aval do então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), em troca do apoio da bancada petista à candidatura de Motta ao comando da Casa.
A avaliação entre parlamentares é que uma eventual derrota de Odair em plenário representaria um revés direto para o presidente da Câmara, ampliando questionamentos sobre sua condução política. Por outro lado, a vitória do petista seria interpretada como demonstração de força. Como o voto é secreto, aliados do governo avaliam que Cunha pode receber apoio inclusive de setores da oposição.
