Câmara de SP protocola CPI do Carnaval de Rua após confusão em blocos e suspeitas sobre contratos
Um requerimento para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar irregularidades e problemas no carnaval de rua da cidade de São Paulo de 2026 foi protocolado na Câmara dos Vereadores na terça-feira (3).
O pedido entra em uma fila com outros 29 requerimentos de instalação de CPI que estão pendentes desde o início da atual legislatura, em 2025.
O requerimento é de autoria da vereadora Amanda Paschoal (PSOL) e o texto pede que na CPI sejam esclarecidas possíveis "irregularidades, falhas e omissões relacionadas ao planejamento, à gestão, ao orçamento e à infraestrutura do Carnaval".
A vereadora cita episódios como o encontro que ocorreu entre dois megablocos na Rua da Consolação em 8 de fevereiro, levando a cenas de empurra-empurra e truculência.
"No segundo dia de pré-carnaval de São Paulo, um episódio grave envolvendo dois megablocos demonstrou a grave omissão do Poder público, que poderia ter resultado em uma tragédia maior. O megabloco “Skol”, cuja principal atração anunciada era o DJ escocês Calvin Harris, e o “Acadêmicos do Baixo Augusta”, ambos realizados na Rua da Consolação, região central da capital de São Paulo, foram reféns de falhas significativas de planejamento, gestão de fluxo e infraestrutura, além de ausência de medidas preventivas adequadas capazes de garantir a segurança de foliões e ambulantes", diz o requerimento.
O texto também cita outros pontos, como a diminuição no número de banheiros químicos em 2026. Após contratar 24 mil diárias em 2025, a SPTuris, empresa da prefeitura responsável pela realização do evento, teve recursos para a contratação de, no máximo, 16 mil locações para a festa deste ano.
Em nota à época da divulgação da diminuição de banheiros, a prefeitura informou que "a quantidade de banheiros foi definida após avaliações, bloco a bloco, por parte da SPTuris".
Segundo a vereadora, a CPI também deve apurar as possíveis irregularidades em contratos da SPTuris.
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) demitiu ao fim de fevereiro o secretário-adjunto de Turismo, Rodolfo Marinho. O presidente da SPTuris, Gustavo Pires, também foi demitido. As mudanças ocorreram em meio a denúncias sobre contratos milionários firmados com uma empresa ligada a uma ex-sócia de Marinho.
A denúncia, publicada inicialmente pelo portal Metrópoles, aponta que a empresa MM Quarter Produções e Eventos está registrada em nome de Nathalia Carolina da Silva Souza, que além de ex-sócia de Marinho, também trabalhou com o ex-secretário em um gabinete parlamentar.
Segundo apuração do g1, desde 2022 — ano em que Marinho foi nomeado para o cargo — a agência Quarter assinou 19 contratos com a SPTuris, presidida por Gustavo Pires, para prestação de serviços em eventos. Os contratos somam mais de R$ 229 milhões em quatro anos. Em nota, a MM Quarter afirmou que “as insinuações divulgadas não correspondem à realidade dos fatos”.
— A SPTuris tem se mostrado um lugar de muitos indícios de corrupção, desvios e irregularidades. É natural que uma CPI que investigue o principal evento da cidade, investigue quem o promove. A MM Quarter teve contratos muitos suspeitos no Carnaval mas também em outros eventos — diz a vereadora.
O GLOBO procurou a prefeitura sobre o requerimento protocolado na Câmara. Em nota, a gestão informou que o Carnaval deste ano movimentou "R$ 4 bilhões na cidade e gerou 55 mil empregos diretos e indiretos, sem o registro de nenhum incidente grave".
Sobre a investigação dos contratos da SPTuris, a nota informa que "o prefeito Ricardo Nunes pediu, em fevereiro, a abertura na Controladoria Geral do Município (CGM) de um processo de investigação interna sobre as denúncias envolvendo a empresa MM Quarter [...] foi determinado ainda pelo prefeito que todos os contratos da empresa passem por auditoria, ao mesmo tempo em que já está dado encaminhamento para um novo processo licitatório".
