Câmara aprova projeto de Lula que cria instituto federal em cidade no sertão paraibano onde pai de Motta é prefeito
A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira um projeto de lei que cria o Instituto Federal do Sertão Paraibano, que será localizado no município paraibano onde o pai do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), é prefeito. O texto foi o primeiro encaminhado ao Congresso neste ano pelo governo federal e prevê o desmembramento do Instituto Federal da Paraíba, com sede da nova reitoria em Patos, base eleitoral de Motta.
De Lula a Bolsonaro: Quem indicou os 15 ministros do STM que vão julgar perda de militares da trama golpista
Trama golpista: Presidente do STM não descarta manutenção de prisão especial a militares após perda de patentes
A proposta apresentada pelo Planalto foi incorporada a um projeto que cria cargos para os ministérios da Educação e da Gestão, e agora segue ao Senado.
No plenário, Motta classificou a criação do instituto federal no sertão da Paraíba como uma conquista para a região “pobre e esquecida”. Nabor Wanderley (Republicanos), pai do deputado, foi reeleito prefeito de Patos e busca espaço na disputa ao Senado em 2026.
O presidente da Câmara também agradeceu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva da Silva (PT) e o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), pelo projeto. A proposta analisada nesta terça-feira teve como relator o deputado Átila Lira (PP-PI), e votação simbólica.
– Sempre lutei para que minha região pudesse ter sua instituição de ensino técnico e superior – afirmou Motta.
Apoio de Lula
Como mostrou o GLOBO, Motta vai enfrentar percalços para alcançar a meta de emplacar o seu pai, como candidato competitivo ao Senado na Paraíba.
Montagem postada por Nabor Wanderley nas redes sociais. Acima, entre Lula e o filho, Hugo Motta. Abaixo, político destaca posse do ministro Gustavo Feliciano
Reprodução
A relação de idas e vindas com o governo do presidente Lula que tem popularidade no estado, deixa o cenário incerto. Motta articulou a aprovação de projetos importantes para o governo no fim de 2025, como um projeto de lei que reduz incentivos fiscais e amplia a taxação das bets, e teve uma reunião com Lula para alinhar essa votação.
No entanto, há atritos em outra frente, como na aprovação do projeto da redução de penas para o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros envolvidos no 8 de janeiro. Motta inclusive não esteve presente na cerimônia em que Lula organizou para lembrar a data. No evento, o petista vetou o projeto.
Motta e o PT fazem parte do mesmo grupo na Paraíba. O partido do presidente da Câmara e a legenda de Lula estão na base do governador João Azevedo (PSB), que articula ele próprio uma candidatura ao Senado e tenta fazer o vice-governador Lucas Ribeiro (PP) como seu sucessor.
O pai de Hugo Motta tenta se encaixar na segunda vaga, mas ainda há dúvidas sobre como os espaços nas candidaturas ao Senado vão ser acomodados.
