Calor recorde derrete neve bruscamente no oeste dos EUA e ameaça abastecimento de água; entenda

 

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O oeste dos Estados Unidos enfrenta um cenário climático crítico após uma onda de calor recorde acelerar o derretimento da neve nas montanhas, principal fonte de água da região. Dados divulgados nesta semana indicam níveis historicamente baixos de neve acumulada — conhecida como “snowpack” —, o que acende alertas para escassez hídrica, impactos na agricultura e aumento do risco de incêndios.

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A situação é considerada sem precedentes por especialistas. Em áreas-chave como a Sierra Nevada, na Califórnia, o volume de água armazenado na neve está em apenas 18% da média histórica. Já nas nascentes do rio Colorado — que abastece mais de 40 milhões de pessoas — o índice é de cerca de 24%, enquanto regiões como a bacia do Rio Grande registram níveis ainda mais críticos, próximos de 8%.

O colapso do "snowpack" foi provocado por um inverno mais quente que o normal, seguido por uma onda de calor extrema em março, quando mais de 1,5 mil recordes de temperatura foram quebrados. Em vez das tempestades de neve típicas do período, a região registrou temperaturas até 17 °C acima da média, acelerando o degelo semanas antes do esperado.

Esse derretimento precoce compromete o abastecimento ao longo do ano. A neve funciona como uma “reserva natural”, liberando água gradualmente durante a primavera e o verão. Com o degelo antecipado, parte desse volume pode se perder antes de ser armazenado em reservatórios — muitos deles já próximos da capacidade máxima, dificultando a retenção do excedente.

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Ao mesmo tempo, grandes reservatórios do rio Colorado, como Lake Mead e Lake Powell, operam com níveis entre 25% e 33% da capacidade, aumentando o risco de atingir o chamado “dead pool”, quando a água deixa de ser suficiente para geração de energia e distribuição.

Causas e efeitos do calor extremo

O relatório da World Weather Attribution (WWA), publicado no dia 20 de março, analisa a onda de calor extrema que atingiu o oeste dos Estados Unidos em março de 2026 e conclui, categoricamente, que o evento está diretamente ligado às mudanças climáticas causadas por ação humana.

Os cientistas afirmam que a intensidade da onda de calor seria extremamente improvável em um clima sem aquecimento global. Hoje, esse tipo de evento se tornou muito mais provável. A análise indica que ondas de calor como essa estão até quatro vezes mais prováveis do que no passado recente, devido principalmente à queima de combustíveis fósseis.

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As consequências já começaram a ser sentidas. Autoridades locais iniciaram restrições ao uso de água em cidades do oeste, enquanto agricultores enfrentam cortes no fornecimento para irrigação. O cenário também impacta o turismo: estações de esqui fecharam mais cedo ou operam com neve artificial devido à escassez.

Outro efeito direto é o aumento do risco de incêndios florestais. Com menos neve cobrindo o solo por mais tempo, a vegetação seca mais rapidamente, criando condições para que o fogo se espalhe com maior intensidade e antecedência. Mais de 1,5 milhão de hectares já foram queimados neste ano — mais que o dobro da média da última década.