Na Calçados Bibi, fabricante de calçados para o público infantil, o que antes saía da linha de produção como resíduo passou a retornar como matéria-prima. Desde 2024, a empresa reaproveita as sobras geradas durante a fabricação da exclusiva palmilha Fisioflex para criar uma versão reciclada do item. Pelos dados da companhia, a iniciativa, que surgiu a partir do programa interno Ninho de Inovação, em dois anos gerou cerca de 12.800 m² de material reutilizado na produção das novas palmilhas, promoveu o reuso de 31% da matéria-prima que antes era descartada e evitou a emissão de 70,77 toneladas de CO₂ equivalente. “A palmilha Fisioflex foi desenvolvida em 2008 para simular a sensação de andar descalço. É um produto inovador, só que era o que mais gerava resíduos na nossa planta do Rio Grande do Sul, chegando a 12 toneladas por ano. Visando diminuir esse impacto, buscamos uma solução junto com os nossos times de inovação e grupos de melhoramentos”, diz Anderson Alves, gerente de Sustentabilidade da Bibi. Inicialmente, a alternativa encontrada foi moer o material, contudo, ele seguia sendo descartado em aterros. Em uma segunda etapa, a empresa passou a fornecê-lo para um parceiro fabricante de colchões.
“Como o resíduo da palmilha tem espuma, serve como matéria-prima para esse parceiro. Mas ainda não estávamos satisfeitos com isso, pois seguíamos tendo custos com armazenamento e transporte do material. Então, fomos atrás de uma tecnologia que permitisse reaproveitá-lo na própria fabricação da palmilha”, salienta Alves. A escolha foi por um processo de micronização, que transforma as aparas da palmilha em pequenas partículas. Depois, essas partículas retornam ao próprio ciclo produtivo e se transformam na base para a nova versão reciclada. Além de evitar o envio do material para aterro e dos ganhos ambientais, a iniciativa, aponta o gerente de Sustentabilidade da Bibi, reduziu o custo da fabricação da palmilha Fisioflex em 11%, gerando para a empresa uma economia de cerca de R$ 230 mil por ano. Outro destaque, segundo ele, é que o projeto se multiplicou: “A partir dele, também passamos a usar a micronização para reaproveitar os resíduos do EVA usado na produção dos solados dos calçados”, indica. Neste caso, o material micronizado é reincorporado à formulação dos compostos poliméricos produzidos internamente. Os resultados da prática ainda estão sendo contabilizados pela empresa.
“De um problema, acabamos achando solução para outro”, enfatiza Alves. “Isso permite que a empresa seja sustentável, o que significa ter uma margem melhor, aumentar a eficiência operacional e ser mais competitiva”, completa o gerente de Sustentabilidade da Calçados Bibi. Mais Lidas Banner da série Inovação de Resultado (Novo) Clayton Rodrigues
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