‘Caixinha’ do Tesouro: veja como funciona o novo investimento para montar reserva financeira

 

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Um novo tipo de investimento do Tesouro Direto, plataforma do governo federal para aplicação em títulos públicos, foi lançado ontem na B3, em São Paulo. O Tesouro Reserva permite aplicações e resgates 24 horas por dia, é hoje mais rentável que a tradicional caderneta de poupança, tem o mesmo nível de risco e é garantido pelo governo.

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A aplicação mínima é de R$ 1, com teto de R$ 500 mil por pessoa, sem restrição para resgates. A rentabilidade é de 100% da taxa básica de juros (Selic), mas, ao contrário da caderneta de poupança, há cobrança de Imposto de Renda (IR) sobre os ganhos.

Esta é uma resposta do Tesouro, gestor da dívida pública, às tradicionais “caixinhas” oferecidas por fintechs e que rendem com base em CDBs, títulos emitidos pelos próprios bancos e que possuem ganhos semelhantes à Taxa Selic, hoje em 14,5% ao ano.

Como investir no Tesouro Reserva? Aplicação funciona como 'caixinha'

O novo investimento se soma à estratégia do Tesouro Nacional de popularizar os títulos da dívida pública.

Neste momento, o Tesouro Reserva está disponível para clientes do Banco do Brasil e deverá ser incorporado por outras instituições em breve. Leia a seguir as características da nova aplicação.

Aplicação e resgate

O investimento mínimo é de R$ 1, com o máximo de R$ 500 mil por pessoa. Para efeito de comparação, o Tesouro Selic tem aporte mínimo de R$ 189, com teto de R$ 2 milhões. Outra diferença é a liquidez.

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Enquanto nas outras modalidades as operações só podem ser feitas em dias úteis, entre 9h e 18h, o novo sistema permite aplicar e resgatar o dinheiro a qualquer hora do dia, todos os dias da semana, inclusive aos sábados, domingos e feriados.

Ou seja, o resgate é imediato, incluindo transferências via Pix, o que reforça a proposta de funcionar como reserva financeira para emergências e objetivos de curto prazo.

Rendimento

O Tesouro Reserva tem rendimento diário que acompanha integralmente a taxa básica de juros (Selic), atualmente em 14,5% ao ano. Como os juros básicos estão elevados, o novo título tende a render bem mais do que a caderneta de poupança.

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Pela regra das cadernetas, quando a Taxa Selic fica acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês + TR (Taxa Referencial); em 2025, o rendimento total foi de 8,2% ao ano, quase sete pontos percentuais abaixo da Selic, que estava em 15%.

Em simulação divulgada pelo Tesouro, um investimento de R$ 10 mil renderia R$ 11.006,88 após 12 meses, valor R$ 390,10 superior ao da poupança.

Sem marcação a mercado

Uma das principais diferenças em relação ao Tesouro Selic é a previsibilidade. O Tesouro Reserva não permite a chamada marcação a mercado, quando a rentabilidade segue a atualização diária do preço de um ativo, provocando ganhos ou perdas dependendo das oscilações. O novo investimento garante 100% da Selic, ou seja, os títulos nunca terão oscilação negativa.

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Prazo

O novo título é de dez anos, mas isso não significa que o investidor terá de ficar “preso”, esperando o título vencer. O dinheiro pode ser resgatado a qualquer momento, com rentabilidade correspondente a todo o período aplicado, descontada do Imposto de Renda.

Impostos e taxa

Diferentemente da caderneta de poupança, no Tesouro Reserva há cobrança de Imposto de Renda incidente sobre os ganhos. As alíquotas seguem a tabela regressiva (22,5% sobre rendimentos de aplicações com até 180 dias; 20% de 181 dias a 1 ano; 17,5% de 1 a 2 anos; e 15% mais de dois anos).

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Como nos demais títulos do Tesouro Nacional, também haverá cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para resgates realizados antes de 30 dias. Até R$ 10 mil investidos, não haverá taxa de custódia da B3. Acima desse valor, será cobrada taxa de 0,20% ao ano.