Cãibra à noite: por que acontece e o que fazer para aliviar

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Quem já acordou durante a madrugada com a panturrilha contraída sabe como uma cãibra pode ser dolorosa. O músculo endurece de repente, parece impossível movimentar a perna e, em alguns casos, a região continua dolorida depois que o espasmo passa.

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As chamadas cãibras noturnas acontecem principalmente nas panturrilhas, mas também podem atingir os pés e as coxas. Elas geralmente duram de alguns segundos a alguns minutos e, na maioria das vezes, são consideradas benignas.

O problema é que nem sempre existe uma explicação única para o episódio.

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Por que a cãibra aparece durante a noite?

Em muitos casos, a causa não é conhecida. A idade aumenta a frequência do problema, e músculos cansados e alterações relacionadas aos nervos podem participar do processo. Gravidez, desidratação, falta de atividade física e períodos prolongados na mesma posição também estão entre os fatores associados às cãibras.

Alguns medicamentos também podem estar relacionados ao problema. Entre eles estão determinados remédios usados para pressão alta e colesterol. Algumas doenças, como diabetes, alterações da tireoide, problemas renais, neuropatias e alterações na circulação, também podem estar associadas a cãibras.

Isso não significa que uma pessoa que tem cãibra à noite necessariamente tenha alguma doença.

Na maior parte das vezes, não é possível apontar uma causa específica.

O que fazer quando a cãibra começa?

O primeiro impulso pode ser tentar movimentar a perna rapidamente, mas o ideal é fazer movimentos controlados.

Se a cãibra estiver na panturrilha, uma das estratégias é estender a perna e puxar o pé em direção ao rosto, mantendo o alongamento até que o músculo comece a relaxar. Massagear suavemente a região também pode ajudar.

Quando for possível ficar em pé, colocar o peso sobre a perna afetada e caminhar alguns passos também pode ajudar a interromper o espasmo.

Calor também pode ser confortável. Um banho morno ou uma toalha aquecida sobre a musculatura pode ajudar a relaxar a região. Algumas pessoas também sentem alívio com frio, especialmente quando o músculo permanece dolorido depois da cãibra.

Alongar antes de dormir pode ajudar?

Pode.

O alongamento da panturrilha antes de dormir é uma das estratégias mais utilizadas para quem sofre com cãibras noturnas. O NHS recomenda alongamentos regulares da panturrilha e sugere que eles sejam feitos também antes de deitar.

Mas é importante não vender o alongamento como uma solução garantida.

Uma revisão da Cochrane encontrou evidências limitadas para tratamentos não medicamentosos. Em pessoas com mais de 55 anos, uma combinação de alongamentos diários da panturrilha e da parte posterior da coxa pode reduzir a intensidade das cãibras, mas não está claro se diminui sua frequência.

Ou seja: vale experimentar, mas não é correto afirmar que alguns minutos de alongamento eliminam o problema.

E a hidratação?

Manter uma ingestão adequada de líquidos é uma medida razoável, especialmente para quem perde muito líquido pelo suor durante atividade física.

A desidratação está entre os fatores associados às cãibras, segundo fontes médicas.

Isso não significa, porém, que toda cãibra noturna seja causada por falta de água.

Também não é necessário beber grandes quantidades de líquido imediatamente antes de dormir. A ideia é manter uma hidratação adequada ao longo do dia.

Falta de magnésio causa cãibra?

Essa é uma das dúvidas mais comuns.

Embora a deficiência de alguns minerais possa estar relacionada a cãibras em determinadas situações, isso não significa que tomar magnésio seja uma solução para qualquer pessoa que tenha espasmos durante a noite.

Uma revisão da Cochrane que reuniu 11 estudos concluiu que a suplementação de magnésio provavelmente não produz uma redução clinicamente significativa das cãibras em adultos mais velhos. A revisão também não encontrou estudos controlados que avaliassem adequadamente o magnésio especificamente para cãibras provocadas pelo exercício.

Por isso, não é uma boa ideia começar a tomar suplementos por conta própria sempre que uma cãibra aparecer.

Se houver suspeita de deficiência nutricional ou alguma condição de saúde associada, a investigação deve ser feita com orientação profissional.

Exercício pode piorar a cãibra?

O exercício pode estar relacionado a cãibras, principalmente quando existe fadiga muscular, esforço acima do habitual ou atividade realizada em condições de calor.

Isso não significa que quem tem cãibras deva parar de se exercitar.

Uma rotina regular de atividade física pode ser melhor do que alternar longos períodos de inatividade com esforços muito intensos. Para quem está começando uma modalidade, aumentar a carga gradualmente também ajuda a evitar que a musculatura seja submetida a uma exigência muito acima daquela a que está acostumada.

Uma atividade leve antes de dormir, como alguns minutos de bicicleta estacionária, também é citada como uma possibilidade para pessoas que sofrem com cãibras noturnas.

Cãibra pode ter relação com a posição na cama?

Pode existir uma relação com a posição das pernas e dos pés durante o sono.

Por isso, uma medida simples recomendada pela Mayo Clinic é evitar que lençóis e cobertores fiquem excessivamente apertados sobre os pés.

Não é necessário dormir em uma posição específica para evitar cãibras, mas vale observar se determinados hábitos parecem coincidir com os episódios.

Anotar quando a cãibra acontece, qual músculo foi atingido, o que foi feito durante o dia e quais medicamentos estão sendo utilizados pode ajudar caso seja necessário conversar com um profissional de saúde.

Quando a cãibra deixa de ser apenas um incômodo?

Uma cãibra isolada durante a madrugada geralmente não é motivo para preocupação.

A situação merece avaliação quando os episódios são frequentes, muito intensos ou começam a atrapalhar o sono regularmente. Também é importante procurar atendimento quando as cãibras vêm acompanhadas de fraqueza muscular, dormência, inchaço ou alterações na pele.

Cãibras que duram mais de 10 minutos também merecem atenção médica, de acordo com o NHS.

Outro ponto importante é observar se o problema começou depois da introdução de algum medicamento. Não se deve interromper um remédio por conta própria, mas a informação pode ser relevante para o profissional avaliar possíveis efeitos colaterais.

Cãibra ou síndrome das pernas inquietas?

Os dois problemas podem ser confundidos porque acontecem frequentemente à noite.

Na cãibra, existe uma contração muscular súbita, dolorosa e involuntária. Já na síndrome das pernas inquietas, o principal sintoma costuma ser uma necessidade difícil de controlar de movimentar as pernas, acompanhada por sensações desagradáveis. A dor intensa típica da cãibra não é característica da síndrome das pernas inquietas.

Por isso, descrever exatamente o que acontece durante a noite pode ajudar na avaliação.

O que realmente vale tentar?

Para quem sofre ocasionalmente com cãibras noturnas, algumas medidas simples podem fazer parte da rotina:

manter uma hidratação adequada durante o dia;

alongar suavemente as panturrilhas antes de dormir;

evitar aumentos bruscos na carga de exercícios;

movimentar-se regularmente durante o dia;

observar se algum medicamento coincide com o início dos episódios;

massagear e alongar o músculo quando a cãibra aparecer;

caminhar alguns passos quando for possível;

usar calor para ajudar a relaxar a musculatura.

Nenhuma dessas medidas funciona para todas as pessoas.

E isso é importante porque a cãibra noturna não tem uma única causa nem um único tratamento.

Quando é hora de investigar?

Se a cãibra passou a fazer parte da rotina, acorda a pessoa várias vezes durante a semana ou vem acompanhada de outros sintomas, vale conversar com um profissional de saúde.

O objetivo não é apenas tentar eliminar a dor. É verificar se existe alguma condição, medicamento ou alteração associada aos episódios.

Na maioria das vezes, a cãibra noturna é apenas um espasmo muscular passageiro. Mas quando ela se torna frequente ou aparece junto com outros sinais, o corpo pode estar dando uma informação que merece ser investigada.

Enquanto isso, quando a panturrilha resolver “travar” no meio da madrugada, a primeira atitude pode ser mais simples do que parece: esticar a perna, puxar o pé em direção ao corpo, respirar e massagear suavemente o músculo até ele relaxar.

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