O presidenciável Ronaldo Caiado (PSD) classificou como "desrespeito" a falta de explicações de Flávio Bolsonaro (PL) no caso Master, que, ao contrário do que diz o senador, não seria "página virada".
Na sabatina O GLOBO, CBN e Valor, o ex-governador de Goiás também declarou guerra ao crime organizado, indicou que colocaria as Forças Armadas nesse combate e prometeu construir 40 presídios de segurança máxima.
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— É desrespeitar a inteligência do povo brasileiro.
Você não tem o direito de ser candidato a presidente e se negar a dar esclarecimentos sobre algo em que você está envolvido --- disse ele, que cobrou do Supremo Tribunal Federal (STF) a quebra de sigilo dos casos Master, INSS e Carbono Oculto.
Caiado passou a bater com mais firmeza no presidenciável do PL, na contramão do que defendia o marqueteiro Paulo Vasconcelos, que deixou a campanha.
Apesar da separação, o candidato apontou que a relação com o antigo estrategista é "ótima".
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'Não vou preservar o analfabetismo funcional': ex-governador critica aprovação automática na Educação
Principal plataforma do ex-governador, que se gaba dos feitos em Goiás, a discussão sobre segurança pública fez o candidato reforçar o discurso linha dura ao minimizar os relatos de letalidade policial no estado.
Prometeu construir 40 presídios de segurança máxima e usar as Forças Armadas nas ruas.
Colocou-se contra o uso de câmeras corporais pelas polícias.
— Vou, em primeiro lugar, declará-los terroristas, ter poder de ação sobre todas as forças que o presidente tem.
Vou buscar tecnologia do mundo todo, as mais sofisticadas, vou identificar todos eles e construir 40 presídios de segurança máxima no Brasil.
Ex-governador de um estado muito afetado pelo tarifaço americano, o goiano foi instado a falar sobre como se comportaria no atual estágio da relação entre o Brasil e o EUA, mas tergiversou e errou o nome do ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira.
— Eu não deixaria chegar a esse ponto.
Eu não vou ficar seguindo a cabeça do “Sifrônio” — apontou, antes de também condenar a posição da família Bolsonaro no caso.
--- Péssimo, condenável, inimaginável pensar que qualquer brasileiro adote posição contrária à pátria.
Eu não admito ingerência sobre o meu país.
Jamais aplaudiria ou fomentaria isso.
'Vou anistiar todo mundo e ninguém mais vai falar sobre isso', diz Caiado sobre condenados pelo 8 de janeiro
A despeito das críticas a Flávio, Caiado manteve acenos ao bolsonarismo quando defendeu a anistia para os condenados pelo 8 de janeiro.
Antes, tentou escapar da pergunta ao responder com menção ao fato de Lula ter sido condenado na Lava-Jato e depois revertido a pena, mas apontou a anistia como forma de "pacificar o país".
Pauta econômica e Educação
Crítico ao que considera despesas "abusivas" e medidas "populistas" do governo Lula, Caiado foi provocado a falar sobre ideias econômicas expansivas que tem defendido.
Respondeu que não quer “penalizar o mais pobre”, embora tenha negado semelhança entre sua visão de governo e a de Lula.
Ele se comprometeu a um superávit de 1,5% no PIB do ano que vem, acima das previsões do mercado, e defendeu ajuste fiscal sem detalhar como o faria.
— Nada a ver.
Não tem nenhuma semelhança.
Lula entende que equilíbrio fiscal é algo que tem que ser excluído, não tolera falar em equilíbrio fiscal.
Estou falando é de gasto responsável no sentido de retomar a capacidade produtiva do país — alegou.
Exemplo de má gestão: Caiado diz que governos do PT são 'os piores do mundo'
Caiado disse que sua “autoridade moral” permitirá que o governo combata privilégios como os do Judiciário.
Segundo ele, o Brasil vive hoje uma “desordem institucional”, e, em indireta a Lula e Flávio Bolsonaro, afirmou que não será presidente "para cuidar de escândalo da minha família".
Na Educação, o presidenciável criticou o regime de aprovação automática e disse que é contra a medida.
Segundo o candidato, "passa de ano quem tem nota":
— Não vou preservar o analfabetismo funcional.
Sabatinas O GLOBO, CBN e Valor
A série de entrevistas foi aberta nesta terça-feira por Romeu Zema (Novo).
Na quinta-feira, será a vez de Renan Santos (Missão), e Augusto Cury (Avante) participa na sexta-feira.
As entrevistas começam sempre às 10h30 e têm duração prevista de uma hora e meia.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) também foram convidados para as sabatinas, mas não confirmaram presença até o momento.
Foram chamados os candidatos melhor colocados na pesquisa divulgada pela Quaest na semana passada, o primeiro levantamento contratado pela TV Globo e pelo GLOBO nesta corrida eleitoral.
As entrevistas serão realizadas no estúdio localizado na redação do GLOBO, no Rio, que também recebeu as sabatinas com presidenciáveis na eleição de 2022.
Neste ano, a bancada de entrevistadores dos candidatos à Presidência contará com os jornalistas Lauro Jardim e Malu Gaspar, colunistas do GLOBO, com Milton Jung, âncora da CBN, e com Maria Cristina Fernandes, colunista do Valor.
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A cobertura das sabatinas incluirá reportagens nos sites e a publicação de "cortes" dos principais trechos nas redes sociais do jornal.
As sabatinas do GLOBO, Valor e CBN com candidatos à Presidência dão sequência à cobertura eleitoral dos jornais e da rádio.
Nesta semana, foram sabatinados os dois candidatos mais bem colocados na disputa em São Paulo: o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que concorre à reeleição, e o ex-ministro Fernando Haddad (PT).
Essas sabatinas foram realizadas nos estúdios da CBN na capital paulista.
Na sequência, estão previstas sabatinas com candidatos ao governo de Minas Gerais, entre os dias 31 de agosto e 4 de setembro.
A programação prevê ainda, em setembro, debates entre candidatos ao Senado em estados como Rio e São Paulo.
