O candidato do PSD à presidência, Ronaldo Caiado, afirmou nesta segunda-feira, em São Paulo, que irá convidar o promotor Lincoln Gakiya para assumir o Ministério da Segurança, pasta a ser criada caso seja eleito ao Planalto. Caiado disse que ainda não conversou com o promotor do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) mas que admira a sua atuação, a qual descreve como “determinada” e “resiliente”. — Talvez seja um dos homens que mais admiro pelo combate que ele tem durante uma vida. Ele é uma pessoa mais determinada no combate ao crime organizado no Brasil. Então quero que assuma esse ministério — afirmou durante evento de lançamento de seu plano de segurança. Procurado, Gakyia não quis comentar a declaração de Caiado. Principal nome do combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) no país, o promotor de Justiça Lincoln Gakiya já foi alvo de mais de um plano de assassinato da facção.
Gakiya comanda o Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) do MP-SP em Presidente Prudente. Ao longo de mais de duas décadas, acabou por se tornar o maior especialista e também o maior inimigo do PCC.
O promotor de Justiça Lincoln Gakiya Reprodução Ele também foi responsável pela transferência das lideranças do PCC para presídios federais em 2019. Enquanto o governo de São Paulo hesitava por medo de uma reprise do terror dos atentados do PCC de 2006, Gakiya decidiu agir sozinho para isolar a cúpula do PCC no sistema penitenciário federal.
Sem apoio formal do governador ou do procurador-geral, protocolou o pedido de transferência de Marcola e outros 21 líderes. Um ato que ele mesmo classifica como seu “decreto irreversível de morte”. Hoje, sua escolta rivaliza com a de governadores e presidentes. 'Operação reconquista' A intenção de fazer o convite a Gakiya foi anunciada por Caiado no lançamento de suas propostas para a segurança caso seja eleito. Em um evento na sede de seu partido em São Paulo, o ex governador de Goiás discursou diante de uma apresentação de slides com dez pontos, listando suas principais promessas para a área. Seu plano foi batizado de "Operação Reconquista", em referência à retomada de territórios dominados por grupos do crime organizado. Entre os tópicos elencados, estão medidas comumente apresentadas por candidatos de direita em eleições passadas, como a redução da maioridade penal para 16 anos e a criação de um ministério específico para cuidar da segurança, que hoje é atribuição do Ministério da Justiça.
Entre outros tópicos, foram mencionados também outros temas, como a criação de uma lei para qualificar facções do crime organizado como terroismo doméstico e a criação de uma "Polícia da América do Sul" para que outros países do continente integrem melhor o combate ao crime transfronteiriço. Caiado afirmou que ampliará a quantidade de presidios federais de 5 para 40 durante seu mandato presidencial caso vença à eleição. Questionado sobre como faria essa ampliação radical, afirmou que empregaria tecnologia de contrução de centros de detenção modulares, com blocos pré-fabricados, que já teria sido usada em instalações em Goiás. Segundo ele, a ideia é que essas instituições separem "soldados" do crime organizados de seus líderes, que ficariam em ambientes isolados. — O terrorista, o faccionado mais temido do Brasil hoje é aquele que está preso, porque o Estado é obrigado a dar proteção para ele, e de dentro ele passa a comandar o crime que acontece fora da prisão — afirmou. — Se a prisao não for um isolamento completo, ela passa a ser um quartel-general do crime. Sobre a promessa de tornar facções criminais organizações oficialmente classificadas como "terrorismo doméstico", Caiado afirmou que não espera ter empecilhos no Congresso Nacional nem entre os governadores estaduais para implementar suas políticas. — A nossa ideia é até permitir que os governadores tenham possibilidade de legislar mais sobre segurança — afirmou. — E terrorismo, de qualquer modo, é assunto federal, e lidar com terrorismo não implicaria em interferência nas atribuições dos estados. O plano de Caiado também listou como promessas a "retomada da Amazônia e das fronteiras" do Brasil, o "confisco de bens de quem matar mulheres", a "asfixia financeira do crime" e o combate à corrupção política.
O Globo