Caiado assina acordo com EUA prevendo parceria para explorar minerais críticos em Goiás
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, assinou na manhã desta terça-feira um memorando de entendimento entre seu estado e o governo dos EUA para estabelecer uma parceria na exploração de minerais críticos e terras raras.
O acordo, que não tem força de lei ainda, afirma buscar cooperaço mútua para "pesquisa" e "capacitação" em um "ambiente regulatório competitivo".
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O documento foi firmado no Consulado Geral dos EUA em São Paulo, com o encarregado de negócios da embaixada americana, Gabriel Escobar, representando seu país. (O presidente dos EUA, Donald Trump, não nomeou embaixador no Brasil ainda, desde que tomou posse no segundo mandato.)
Goiás é o estado onde fica a única operação para extração de minerais de terras raras no Brasil, a Serra Verde, em Minaçu, no norte do estado. A operação é feita pela mineradora Aclara.
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Segundo Caiado, o objetivo do novo acordo é que o estado não seja apenas fornecedor de minério, mas agregue valor ao produto para beneficiar mais sua economia.
— Esta parceria hoje assinada, ela propõe o desenvolvimento do estado, o auxílio do mapeamento dos nossos potenciais minerais, e também absorver a tecnologia, avançar na pesquisa, para que Goiás não seja apenas um exportador de matéria bruta — afirmou o governador.
O documento enxuto não detalha ainda como a cooperação científico tecnológica ocorreria nem o tipo de benefício fiscal que empresas mineradoras receberiam. Escobar, porém, afirma que há espaço para negociar termos.
— Como dizemos nos Estados Unidos, este é um acordo win-win — disse o representante americano, usando a expressão em inglês que descreve uma negociação onde as duas partes saem ganhando. — Isto vai abrir as portas para mais investimento, mais cooperação e parceria científica, econômica e vários tipos de outros assuntos.
Empresas americanas interessadas no acordo não foram citadas no documento, mas um evento fechado da Câmara Americana de Comércio (Amcham) que teve início logo depois da assinatura listava algumas delas. O fórum sobre minerais críticos que os EUA estão promovendo em São Paulo lista sete potenciais projetos em que podem ser firmadas parcerias. São cinco em Minas Gerais, um no Piauí e um na Bahia.
Enquanto Goiás busca se antecipar no tema, a negociação entre os EUA e o governo federal do Brasil no tema não anunciou novos avanços nas últimas semanas.
Escobar afirma que espera avanços nas negociações com o governo federal também, mas não detalhes sobre quando algo pode ser anunciado.
A embaixada americana confirmou hoje que um representante do governo dos EUA — David Copleu, do Conselho de Segurança Nacional — desembarca nesta semana em São Paulo para tratar especificamente do assunto da exploração de minerais críticos.
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Minerasis críticos, por exemplo, são em veículos elétricos e na produção de energia limpa, que precisam de lítio e cobalto. Os de terras raras são muito usados pelos EUA em equipamento militar eletrônico sofisticado, que usa imãs de disprósio e térbio. A indústria de semicondutores também é grande consumidora de minerais com elementos como gálio e germânio.
