Cadê os vizinhos? Apenas 2% do território da Espanha é habitado, expõe estudo
A Espanha tem hoje um território amplamente vazio: 97,4% de sua extensão não é habitada, segundo um relatório divulgado, neste mês de maio, pela Fundação BBVA e pelo Instituto Valenciano de Pesquisas Econômicas (Ivie). O estudo, baseado em um sistema de análise populacional em alta resolução, concluiu que apenas 2,6% do mapa espanhol concentra efetivamente moradores, cenário que reforça as desigualdades territoriais e urbanas do país.
A pesquisa utilizou um método mais detalhado do que os levantamentos tradicionais, dividindo o território em grades de 100 metros por 100 metros, e não em áreas de 1 quilômetro quadrado. A nova metodologia derruba estimativas anteriores que apontavam ocupação humana em 22,6% do território espanhol.
Os dados revelam ainda uma concentração populacional extrema. Metade da população vive em apenas 6% das áreas habitadas do país. Barcelona, Madri e Zaragoza aparecem como as províncias com maior número de moradores em um raio de um quilômetro. Em Barcelona, a média chega a 50.524 pessoas próximas; em Madri, 44.667; e em Zaragoza, 41.408.
No extremo oposto estão províncias como Teruel, Segóvia, Ávila, Cuenca, Cáceres, Toledo e Lugo, onde a média de habitantes nas proximidades não chega a 10 mil pessoas. O caso mais crítico é o de Teruel, com menos de 6 mil moradores em um raio de um quilômetro. Segundo o estudo, a concentração populacional em Barcelona é 8,5 vezes maior do que na província.
Desigualdade urbana e cidades de 15 minutos
Os pesquisadores destacam que a distribuição populacional evidencia “gritantes desigualdades de oportunidades de interação pessoal e econômica entre os diferentes territórios da Espanha”. Entre os municípios mais densos do país estão L'Hospitalet de Llobregat, Santa Coloma de Gramenet, Barcelona, Badalona e Esplugues de Llobregat, todos com mais de 90 mil habitantes em áreas próximas.
O levantamento também analisa o conceito de “cidade de 15 minutos”, modelo urbano que busca garantir acesso a serviços essenciais em deslocamentos curtos, a pé ou de bicicleta. Segundo os autores, a concentração de moradores favorece o desenvolvimento desse tipo de cidade ao ampliar as oportunidades de interação e facilitar o acesso a serviços.
Entre as maiores cidades espanholas, Palma de Maiorca e Múrcia lideram em acessibilidade cicloviária, permitindo que quase 60% da população local alcance diferentes pontos urbanos em até 15 minutos de bicicleta. Já Madri e Barcelona apresentam desempenho inferior, com índices abaixo de 40%.
O estudo atribui esse resultado a fatores como a topografia das cidades, falhas de conectividade, baixa qualidade da infraestrutura cicloviária e à própria configuração urbana.
