Busy Philipps, atriz de

Busy Philipps, atriz de 'As Branquelas', retira tumor cerebral raro; oncologista explica o que é o oligodendroglioma

Fonte: Bandeira da fonte

A atriz americana Busy Philipps, de 47 anos, conhecida por filmes e séries como As Branquelas e Freaks and Geeks, revelou que foi diagnosticada com um tumor cerebral raro e precisou passar por duas cirurgias em 2026.
Em entrevista à revista People, publicada nesta semana, ela contou que descobriu a doença após realizar uma ressonância magnética de corpo inteiro, que identificou uma lesão no cérebro.
A investigação revelou um oligodendroglioma de grau 2, um tipo raro de câncer primário do sistema nervoso central que se desenvolve a partir de células da glia.
Segundo a atriz, ela não apresentava sintomas neurológicos evidentes, como convulsões, antes da descoberta.
O tumor, com 2,6 centímetros, foi retirado durante uma cirurgia realizada em 2 de março.
Algumas semanas depois, Philipps apresentou uma infecção por Staphylococcus na região da incisão e precisou passar por um segundo procedimento.
Atualmente, ela realiza exames periódicos para acompanhar a possibilidade de recidiva e, segundo sua equipe médica, não precisou de quimioterapia ou radioterapia após a cirurgia.
Busy Philipps
Reprodução/Instagram
O que é o oligodendroglioma?
O oligodendroglioma é um tipo de glioma, grupo de neoplasias que se origina nas células da glia, responsáveis por dar suporte aos neurônios.
É uma doença rara e mais comum em adultos.
"Os oligodendrogliomas são tumores primários do sistema nervoso central e apresentam características moleculares muito específicas, fundamentais para confirmar o diagnóstico e também para definir o tratamento e o prognóstico", explica Flávio Brandão, oncologista da Oncoclínicas.
Pela classificação atual das neoplasias do sistema nervoso central, o diagnóstico depende da identificação de uma mutação dos genes IDH1 ou IDH2 e da chamada codeleção 1p/19q, alteração que envolve os cromossomos 1 e 19.
Por isso, a confirmação não depende apenas da imagem, mas também da análise do tecido tumoral e de testes moleculares.

Os oligodendrogliomas podem ser classificados como grau 2 ou grau 3.
O primeiro tende a crescer mais lentamente e costuma ter comportamento mais favorável, mas não é considerado benigno.
"Quando falamos que um tumor é de baixo grau, isso não significa que ele seja benigno ou que possa ser ignorado.
O oligodendroglioma de grau 2 tem, em geral, uma evolução mais lenta, mas continua exigindo acompanhamento porque existe risco de progressão ou recidiva", afirma Brandão.
Busy Philipps
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Quais sintomas podem aparecer?
Os sinais dependem da localização e do tamanho da lesão.
Entre as manifestações mais comuns estão convulsões, dor de cabeça, alterações de memória ou pensamento, fraqueza, dificuldades de fala, visão ou equilíbrio.
Em alguns casos, a doença pode ficar silenciosa por bastante tempo.
"A ausência de sintomas não significa necessariamente que não exista um tumor, porque lesões de crescimento lento podem permanecer silenciosas.
Por outro lado, sintomas neurológicos novos, persistentes ou progressivos devem ser investigados", orienta o oncologista.
A investigação costuma envolver exames de imagem, principalmente a ressonância magnética.
No entanto, a imagem não é suficiente para determinar sozinha o tipo de tumor.
A confirmação é feita a partir da análise do tecido retirado em cirurgia ou biópsia, incluindo a avaliação molecular.
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Como é feito o tratamento?
A cirurgia costuma ter papel central no tratamento, com o objetivo de retirar a maior quantidade possível do tumor sem comprometer as funções neurológicas.
Após o procedimento, a necessidade de radioterapia ou quimioterapia depende de fatores como idade, localização da lesão, extensão da retirada e características moleculares.
"Não existe uma receita única para todos os pacientes.
Em alguns casos, principalmente quando a doença de grau 2 é completamente retirada e não há fatores de maior risco, podemos optar inicialmente apenas pelo acompanhamento.
Em outras situações, radioterapia e quimioterapia podem ser indicadas", explica Brandão.
"Recentemente foi aprovada no Brasil uma nova droga alvo para os pacientes que apresentam doenças residuais após a cirurgia.
Trata-se do vorasidenibe, um inibidor de IDH que pode atrasar consideravelmente a necessidade de radioterapia e quimioterapia", complementa.
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Exame de rastreamento é indicado para todo mundo?
O caso de Busy Philipps chama atenção justamente porque o tumor foi identificado antes do aparecimento de sintomas importantes.
A atriz contou à People que realizou uma ressonância de corpo inteiro por iniciativa própria.
A descoberta da atriz, contudo, não significa que pessoas saudáveis devam fazer ressonância de corpo inteiro para procurar tumores.
O American College of Radiology afirma que ainda não há evidências suficientes para recomendar esse tipo de exame como rastreamento de rotina em pessoas sem sintomas ou fatores de risco específicos.
A ressonância de corpo inteiro, incluindo a ressonância de crânio, pode ser indicada em pessoas com síndromes genéticas específicas, por exemplo, a síndrome de Li-Fraumeni, caracterizada por alterações no gene TP53, que aumentam o risco de diversas neoplasias desde a infância, incluindo os gliomas.

"O caso mostra que uma alteração pode eventualmente ser encontrada de forma incidental, mas isso não torna a ressonância de corpo inteiro um exame indicado para toda a população.
A decisão de investigar deve considerar os sintomas, os fatores de risco e a história clínica de cada pessoa", ressalta Brandão.
No caso dos oligodendrogliomas, o prognóstico costuma ser mais favorável do que o observado em outros gliomas, especialmente nos tumores de baixo grau.
Mesmo após a cirurgia, entretanto, o acompanhamento periódico é importante para identificar precocemente qualquer sinal de crescimento ou recidiva.

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