Busca por estética bucal cresce em Belém e acompanha liderança do Norte no país
A procura por tratamentos estéticos dentários tem crescido em Belém, acompanhando uma tendência mais ampla observada em toda a região Norte, que lidera o interesse por esse tipo de procedimento no país. Dados de uma pesquisa realizada pela Odontoprev, com base em mais de nove milhões de beneficiários e consolidada em 2025, revelam que 44,3% dos moradores da região buscam serviços ligados à estética bucal, o maior índice entre todas as regiões brasileiras.
Na sequência, a região Sul aparece como a que mais realiza procedimentos (37%), seguida pelo Centro-Oeste (31,9%) e pelo Sudeste (18,9%). Em contraste, o Nordeste apresenta o menor índice, com 6,2% de realização de procedimentos.
Em Belém, o doutor e mestre em odontologia Fabrício Lima, com 17 anos de atuação e expertise na área da ortodontia e estética dentária, observa mudanças significativas no comportamento dos pacientes. “A gente viu uma mudança no conceito de estética bucal perante a sociedade. Antigamente, a estética era vista apenas como um clareamento dentário. Só que atualmente, a busca por mudança na anatomia dentária tem crescido no consultório odontológico. Muitos pacientes chegam na nossa clínica buscando mudar a forma do dente. Por isso, novas técnicas como a faceta dentária, restaurações estéticas, têm crescido na nossa clínica dentária”, afirma o dentista.
Fabrício Lima observa mudanças significativas no comportamento dos pacientes. (Foto: Ivan Duarte | O Liberal)
Segundo ele, a influência das redes sociais tem impacto direto nessa procura. “É impressionante como a gente observa que as redes sociais acabam tendo uma influência nessa estética, nessa forma dentária. Algumas referências, influências, têm tratado a sua anatomia dentária em busca da perfeição. Então, eles buscam dentes maiores, mais claros, com sorrisos mais amplos, para que ele se torne mais perceptível no seu rosto”, afirma Fabrício Lima.
Apesar do aumento da demanda por estética, especialistas reforçam que a saúde bucal deve ser prioridade. “Quando o paciente nos procura, normalmente ele busca a estética. Não adianta você ter um belo sorriso aparente se você não puder mastigar. Então, pacientes que têm perda de dentes na região posterior, não são pacientes elegíveis para ter uma reabilitação estética naquele momento. Primeiramente, nós temos que priorizar a função, porque a função dos dentes é a mastigação. Não é algo para ser exposto, não é algo para se tornar, de fato, belo no início. Isso é um objetivo secundário. Então, após a reabilitação funcional, aí o paciente vai estar habilitado a tratar a estética. Com o quê? Com clareamento, com a faceta, com o aparelho dentário. Muitos pacientes também nos procuram com o dente torto para poder alinhar e, posteriormente, mudar a anatomia dentária”, detalha.
Entre os procedimentos mais procurados, ele destaca: “Atualmente, na nossa clínica, os procedimentos mais procurados são o clareamento, em primeiro lugar, porque é algo mais acessível. Em segundo lugar, as facetas dentárias, que podem ser de porcelana ou de resina. E, em terceiro lugar, algo que está crescendo muito, que já não impacta diretamente no dente, mas, e sim, o rosto, é a harmonização orofacial. Porque nós, dentistas, atualmente, somos habilitados a tratar o paciente de forma um pouco mais funcional, claro, utilizando botox no seu rosto”, conta.
O especialista também alerta para os riscos de procedimentos mal executados e reforça a importância do acompanhamento profissional. “Correlacionando a questão das estéticas que nós estávamos falando, é muito importante que todos esses tratamentos, antes e após, sejam acompanhados por profissionais habilitados, para que possam fazer a prevenção. Nas redes sociais, a gente costuma encontrar muitos relatos de iatrogenia. São facetas mal produzidas, mal instaladas, que fazem com que o paciente venha a ter problemas na gengiva e, posteriormente, no osso. Em algumas situações, é passivo do paciente perder o dente, principalmente quando o trabalho não é bem realizado”, alerta.
Em relação aos custos, ele explica que os valores variam conforme o material utilizado. “Tudo que envolve estética, realmente tem um valor um pouco mais elevado na sociedade. Vai depender muito do que o paciente, de fato, deseja. Existem tratamentos estéticos com materiais chamados de porcelana, que é o padrão ouro na reabilitação oral. Mas também existem os das resinas dentárias. A porcelana tem uma durabilidade muito maior. A resina não tem uma grande durabilidade e ela pode vir a manchar. Então, partindo desse princípio, os trabalhos realizados com porcelana, os valores são muito mais elevados, chegando a ser três ou cinco vezes mais caros que os trabalhos em resina. Mas, independentemente do valor, é muito importante que o paciente venha procurar uma pessoa habilitada. Nas redes sociais, a gente observa que existem dentes que são totalmente brancos. Então, não foi um trabalho conduzido adequadamente, porque a estética em si, tem que ter aquela nuance de cor. Tem que ser estratificada e não aquele branco puro”, explica.
Como orientação final, o dentista reforça a importância da qualificação profissional. “Eu acho que aqueles pacientes que têm interesse em melhorar a sua estética devem procurar, primeiramente, um profissional habilitado, de preferência especialista. Não que o clínico geral não possa exercer uma função com excelência. Mas o especialista vai ter um pouco mais de experiência, vai poder oferecer para um tratamento completo, não só estético, mas também funcional. Então, dando ao paciente longevidade no tratamento e, com certeza, um sorriso mais agradável”, finaliza.
PESQUISA
Os dados nacionais também mostram que, enquanto o Norte lidera na busca por estética, outras regiões se destacam em diferentes aspectos do cuidado bucal. O Sudeste, por exemplo, registrou um aumento expressivo de 38,9% em tratamentos preventivos, liderando o ranking nesse tipo de procedimento. Em seguida aparecem o Sul (11,9%), o Norte (6,5%) e o Nordeste (6%). Já o Centro-Oeste apresentou o menor índice, com 3,1%.
Segundo o dentista e consultor científico da Odontoprev, Emerson Nakao, a tendência atual é integrar saúde e estética. “São muitos tratamentos, como clareamento dental, facetas de porcelana ou lentes de contato; o foco vai além da perfeição. Buscamos oferecer um equilíbrio personalizado que respeite as características faciais de cada indivíduo, transformando o sorriso realmente em um cartão de visitas que alia funcionalidade e estética de forma integrada”, comenta.
Ele também reforça a importância da prevenção. “A sabedoria do cuidado com o sorriso reside na prevenção. Priorizar visitas regulares ao dentista e manter uma rotina de higiene rigorosa não é apenas uma questão de estética, mas um investimento na própria saúde, agindo muito antes do corpo precisar emitir o alerta da dor. Além disso, tratar problemas em estágio inicial é sempre mais simples, indolor e às vezes até econômico do que remediar intervenções complexas”, diz Nakao.
A maior atenção à prevenção tem impacto direto na redução de procedimentos curativos. O Sudeste lidera a queda, com -4,3%, seguido pelo Centro-Oeste (-0,8%) e pelo Norte (-0,4%). Por outro lado, Sul e Nordeste registraram aumento nos procedimentos curativos, com 2,5% e 1,2%, respectivamente.
“Quando escolhemos cuidar do sorriso pelo valor da saúde e não pela urgência do incômodo, evitamos o estresse de urgências e garantimos que a boca cumpra suas funções vitais com pleno bem-estar, preservando a integridade dos dentes de forma duradoura”, ressalta Nakao.
AUTOESTIMA
A experiência de pacientes também reflete essa mudança de comportamento. A empreendedora Luana Paes, de 31 anos, relata que decidiu iniciar um tratamento ortodôntico por questões estéticas. “Eu coloquei aparelho recentemente para melhorar os meus dentes que estavam um pouquinho tortos, aí eu resolvi colocar mais por estética mesmo. Assim, eu acho que o meu sorriso é bonito, mas eu precisava melhorar mais um pouquinho”, conta.
Ela afirma que a situação impactava sua autoestima, “principalmente na hora de sorrir, fazer fotos, que às vezes não ficava muito bom, aí eu ficava um pouquinho com vergonha”.
Antes de iniciar o tratamento, Luana buscou orientação profissional. “O Fabrício eu já conheço há um tempo, há anos, na verdade. A minha família já vem com ele há um tempo também e resolvi vir com ele pelo profissional, que eu já conhecia”.
Com o início do tratamento, ela já percebe mudanças. “Já estou vendo a mudança. Eu já consigo sorrir melhor. Minha autoestima já melhorou um pouquinho. Já estou mais segura ao sorrir”, relata.
Luana Paes, de 31 anos, relata que decidiu iniciar um tratamento ortodôntico por questões estéticas. (Foto: Ivan Duarte | O Liberal)
Ela também deixa uma recomendação para quem pretende realizar procedimentos estéticos. “Eu recomendo procurar um profissional e pesquisar bastante sobre ele, porque eu acho que um sorriso é a parte fundamental de qualquer pessoa. É o nosso cartão de visita”, afirma. Luana iniciou o uso do aparelho em fevereiro, com previsão de término em junho, realizando manutenções mensais.
