Buraco negro surpreende cientistas com jato de energia até 100 trilhões de vezes maior que a 'Estrela da Morte', de Star Wars

 

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Um buraco negro supermassivo vem intrigando astrônomos ao apresentar um comportamento sem precedentes: quatro anos depois de destruir uma estrela, ele passou a expelir enormes quantidades de energia na forma de ondas de rádio. O fenômeno, classificado como um caso extremo de “indigestão cósmica”, pode estar entre os eventos individuais mais energéticos já registrados, segundo estudo publicado no Astrophysical Journal.

O objeto, localizado em uma galáxia a cerca de 665 milhões de anos-luz da Terra, é conhecido oficialmente como AT2018hyz. O episódio inicial ocorreu em 2018, quando uma estrela de pequeno porte se aproximou demais do buraco negro e foi despedaçada por sua intensa força gravitacional — um processo chamado de evento de ruptura de maré (TDE, na sigla em inglês), relativamente comum nas observações astronômicas.

Uma explosão tardia e inesperada

O que torna o AT2018hyz excepcional é o atraso na emissão de energia. Após a destruição da estrela, os radiotelescópios registraram silêncio por quase três anos. Em seguida, de forma abrupta, o buraco negro começou a liberar um poderoso jato de ondas de rádio, cuja intensidade continua crescendo. De acordo com os cálculos mais recentes, o objeto hoje é cerca de 50 vezes mais brilhante do que quando foi detectado originalmente nesse comprimento de onda.

“Isso é realmente incomum. É difícil imaginar algo crescendo dessa forma por um período tão longo”, afirmou Yvette Cendes, astrofísica da Universidade de Oregon e líder do estudo. A equipe projeta que o fluxo de energia seguirá aumentando exponencialmente antes de atingir o pico no próximo ano.

As estimativas indicam que a energia liberada pode se comparar à de uma explosão de raios gama, figurando entre os eventos mais poderosos já observados. Em uma analogia com a cultura pop, os pesquisadores calcularam que o fluxo atual equivale a pelo menos um trilhão — possivelmente até 100 trilhões — de vezes a energia atribuída à fictícia Estrela da Morte, do universo Star Wars.

Durante a aproximação fatal, a estrela sofreu o processo conhecido como “espaguetificação”, no qual o campo gravitacional extremo alonga o objeto na direção do buraco negro e o comprime lateralmente, transformando-o em filamentos longos e finos. Parte desse material é engolida, enquanto outra pode ser lançada de volta ao espaço.

Buracos negros costumam ser descritos como “comedores desordenados”, pois nem toda a matéria capturada permanece presa. Ainda assim, essas ejeções geralmente ocorrem logo após a destruição da estrela. “É como se esse buraco negro tivesse começado abruptamente a expelir uma grande quantidade de material anos depois de ter devorado a estrela”, disse Cendes. “Isso nos pegou completamente de surpresa — ninguém nunca viu nada parecido antes.”

Em 2022, quando os primeiros sinais anômalos foram anunciados, o astrônomo Edo Berger, da Universidade de Harvard, já destacava a singularidade do caso. Segundo ele, embora alguns TDEs emitam ondas de rádio enquanto a estrela está sendo consumida, o AT2018hyz permaneceu silencioso por anos antes de se tornar um dos mais luminosos já observados nesse espectro.

Os pesquisadores pretendem continuar monitorando o objeto para entender como esse fluxo tardio de energia evolui e o que ele revela sobre a física dos buracos negros supermassivos — estruturas cuja gravidade é tão intensa que nem mesmo a luz consegue escapar e que habitam o centro de praticamente todas as galáxias massivas conhecidas.