Bastou o relógio passar das 20h para as fãs do grupo de k-pop BTS começarem a agitar-se dentro do Estádio do MorumBIS, na Zona Oeste paulistana, atentas ao menor sinal no agigantado palco. Enquanto isso, uma mãe divertia-se com o batimento cardíaco acelerado da filha, outras meninas tentavam esgueirar-se para conseguir uma visão privilegiada do palco 360° com 4 telões no topo — em outros países, chegaram a ser 12, para fúria dos fãs.
Lá pelas 20h10, RM, Suga, J-Hope, Jimin, Jin, V e Jung Kook encerraram de vez o hiato de sete anos sem pisar em palcos brasileiros e deram ao público de 81 mil pessoas (segundo dados anunciados por eles mesmos) o que a multidão tanto esperava. Há ainda outros dois shows confirmados e totalmente esgotados, nos dias 30 e 31 de outubro.
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A faixa inicial para a festa foi “Hooligan”, fruto do quinto álbum de trabalho do grupo, “Arirang”, lançado neste ano, após uma pausa nas atividades para que os rapazes pudessem cumprir serviço militar obrigatório na Coreia do Sul. O retorno dos sete mescla a pop music com referências do R&B, que, neste álbum em questão, parecem querer ainda mais mergulhar neste segundo universo.
As fãs, de maneira impressionante, seguiam cada trecho das canções de maneira fervorosa, fazendo o estádio trepidar com os pulos e danças nas arquibancadas e cadeiras suspensas. Os artistas, vale dizer, figuram como pesos-pesado da música global (essa turnê aproxima-se da arrecadação de US$ 500 milhões) com ampla adesão ao público brasileiro.
Para se ter uma ideia dessa paixão, 222 mil assinaturas foram recolhidas para que eles recebessem a chave da cidade de São Paulo. No entorno da arena de shows, fãs clubes pagaram anúncios para comemorar o aniversário de Jimin.
Muitas, ainda, desembolsavam R$ 460 por um bastão de luz, com led na ponta, que trocava de cor sintonizado com os momentos do show. De volta à apresentação, o grupo logo seguiu para mais faixas do novo álbum que, praticamente, dominam o setlist.
Na sequência veio “Aliens”, “They dont know’bout us” e “Like animals” — uma balada com ares pop rock. As canções foram apresentadas sem banda visível no palco, ao que parece com bases instrumentais gravadas.
Não é difícil entender porque as fãs (que são parte do chamado “Army”) são aficionadas pelos sete integrantes. Toda a apresentação é pensada para emular certa proximidade entre público e artistas.
Prova disso é a disposição das câmeras dos telões que driblam a distância imposta pela lotação do estádio. O sistema de filmagem ao vivo não economiza nos supercloses, para que sejam transmitidos sorrisos e beijos dos pop stars.
A todo tempo um deles pode ser visto, em detalhes, pela plateia. Além disso, todos esforçaram-se para falar um português que foi além dos triviais “eu te amo, Brasil” e “obrigado”.
Pelo contrário, os sete embrenharam-se por frases como "'ceis' não estão para brincadeira! Eu não preciso de mais nada". Ou então: "Não se cansem, sigam com a gente".
Sem sobressaltos, o grupo seguiu por faixas mais pesadonas como “Fya”, do novo álbum, e “Fire”, lançada há dez anos. Ali, fica claro como grupo passeia entre os sons eletrônicos, o pop com R&B, sem deixar de lado os trejeitos de uma boy-band.
Já próximo ao fim da apresentação, eles lançaram mão das mais radiofônicas “Butter” e “Dynamite”, ambas da virada da década e que furaram a bolha dos fãs de k-pop. Já nos minutos finais, eles enfileiraram duas canções surpresa "Black Swan", lançada em 2020, e "Silver Spoon (baepse)" na qual o grupo faz uma crítica sobre desigualdade social e meritocracia.
Antes de encerrar, o BTS sentou-se na plataforma giratória sobre o palco para um tipo de conversa mais longa com os fãs, para falar de temas como saudades e planos de retorno ao Brasil. Todos deixaram suas mensagens (absolutamente elogiosas) com apoio de uma tradutora.
Foi, sim, uma quebra de ritmo para o show que vinha em alta fervura. O momento, porém, arrebatou as fãs que faziam silêncio para não perder nenhuma palavra na tradução simultânea.
Após o bate-papo, eles voltaram ao palco em ritmo mais despojado e apresentaram com “Please” e “Into the sun”, uma balada com sua letra que foi repetida à exaustão em cartazes e faixas nas mãos das fãs que acompanhavam este primeiro show paulistano. Não faltou nada.
O Globo