Bruno Peixoto terá primeiro teste no Executivo com 2028 no horizonte

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Fonte da notícia: Jornal Opção Jornal Opção

O deputado federal eleito Bruno Peixoto (UB) vai experimentar, ainda em 2026, o primeiro teste do que pode ser seu projeto político dos sonhos em 2028. Presidente da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), o parlamentar deve assumir interinamente, pela primeira vez, o comando do governo estadual durante as férias de Daniel Vilela (MDB).

Serão apenas seis dias – entre 29 de outubro e 3 de novembro -, mas tempo insuficiente pra que o presidente do UB de Goiás imprima, mesmo que superficialmente, uma marca administrativa que vai dar ao eleitorado uma “amostra grátis” de sua atuação à frente do Poder Executivo. A posse temporária, contudo, ainda depende de uma definição.

Ao Jornal Opção, Bruno disse que aguarda um retorno de Daniel Vilela para assumir o posto. Inicialmente, o presidente da Alego tinha uma viagem pessoal marcada para o mesmo período, o que abriria caminho para o presidente do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), desembargador Leandro Crispim, assumir o Executivo.

Bruno, porém, mudou sua agenda e decidiu permanecer no estado. A mudança, vale dizer, segue o cumprimento da ordem constitucional de sucessão.

Mas é, no mínimo, ingenuidade ignorar o valor político de uma oportunidade como essa. Afinal, Bruno Peixoto não é exatamente um parlamentar ainda à procura de espaço.

Muito pelo contrário: o filho de Tião Peixoto construiu ao longo dos últimos anos uma verdadeira fortaleza política que, convenhamos, poucos conseguem reunir sem depender exclusivamente da popularidade de um governador ou da força da estrutura de uma legenda. Leia também: 2026 vai decidir quem chega de pé a 2028 para a corrida à Prefeitura.

É o “gato de Schrödinger” da política Sua eleição para a Câmara dos Deputados, com mais de 207,8 mil votos, foi a prova mais recente da capacidade de mobilizar e conquistar eleitores.

Antes disso, Bruno Peixoto também já havia conquistado o título de deputado estadual vai votado de Goiás, com 73.692 votos. Num português simples, o presidente da Alego, que em alguns meses estará debatendo, votado e discutindo no Plenário da Câmara Federal, parece ter encontrado a formula do sucesso na vida pública.

Parte dessa trajetória se explica por uma característica que se tornou um tanto quanto valiosa no ambiente político, no qual as relações de dependência imperam. O deputado dominou a arte de cultivar aliados em praticamente todos os municípios goianos, de exercer alianças sem ser subserviente e de falar o idioma do povo – basta olhar a votação do deputado nos municípios goianos.

Bruno deu o “start” na vida política na Câmara Municipal de Goiânia, passou por quatro mandatos na Assembleia Legislativa e agora alcança a Câmara Federal. E em cada uma dessas etapas, ampliou consideravelmente seu raio de atuação.

Nos bastidores, já é dado quase como certo que Bruno dispute a Prefeitura de Goiânia pelo UB, legenda que preside no estado, em 2028. A tese ajuda a entender, inclusive, outras movimentações partidárias, especialmente os rumores de que o prefeito Sandro Mabel pode deixar o UB e se filiar ao Republicanos pra tentar a reeleição.

Por óbvio, uma eventual mudança de legenda pode envolver outros cálculos e interesses. Mas convém lembrar que Bruno esteve muito perto de ser o candidato do grupo governista à Prefeitura de Goiânia em 2024.

Segundo bastidores, a possibilidade foi considerada seriamente e só não foi adiante por uma margem estreita nas negociações. O famoso “foi na trave”.

Dois anos depois, com votação expressiva pra deputado federal e uma estrutura de aliados ainda mais ampla, seu nome volta a circular no tabuleiro municipal. Bruno Peixoto no lançamento de candidatura, em Goiânia | Foto: Hely Júnior/Jornal Opção

Já Mabel tem a máquina municipal, a visibilidade do cargo e, claro, a possibilidade de disputar a reeleição. Mas nada disso garante, antecipadamente, a preferência da base, que, diga-se de passagem, não é uma propriedade transferida em escritura, nem um patrimônio que acompanha automaticamente quem ocupa o Paço Municipal.

Aqui, é lutar pra merecer. Os dias de Bruno no Palácio das Esmeraldas podem dar a ele um “gostinho” de como é sentar na cadeira do Executivo, mesmo que de uma esfera diferente da que pode tentar daqui a dois anos.

Isso não significa, claro, que seis dias no governo sejam capazes de transformar um parlamentar em administrador experimentado. Como dito, será mais uma espécie de “amostra grátis”.

É válido lembrar também que o próprio Daniel Vilela vai ter papel principal na definição dos rumos da base governista, e o equilíbrio entre Bruno e Mabel vai depender de fatores que ainda estão em formação. Por enquanto, Bruno Peixoto tem uma oportunidade de ouro.

Caso o planejado se concretize, trocará temporariamente a presidência da Alego pelo comando do Executivo estadual, levando para o Palácio das Esmeraldas uma trajetória construída com votos, alianças e habilidade de negociação. Serão seis dias sem grandes possibilidades de transformação administrativa, mas com considerável potencial de exposição política.

E de novo: o calendário marca 2026, mas a disputa por 2028 já começou.

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