Britânicos celebram prisão de ex-príncipe Andrew, investigado no caso Epstein: 'Não estão acima da Justiça'

 

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O público britânico, majoritariamente pró-monarquia, comemorou a prisão, na quinta-feira, do ex-príncipe Andrew, cuja amizade com o criminoso sexual americano Jeffrey Epstein o transformou em um pária. Alguns disseram que o irmão mais novo do rei Charles III merecia ser detido, enquanto outros afirmaram que isso transmitia a mensagem correta de que a família real não está acima da lei.

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Andrew Mountbatten-Windsor, como é agora conhecido, foi detido sob suspeita de má conduta enquanto atuava como enviado comercial do Reino Unido. A polícia também realizou buscas em duas de suas propriedades, após revelações em documentos americanos recentemente divulgados de que relatórios potencialmente confidenciais foram compartilhados com Epstein.

Após anos de relatos e acusações sobre as atividades de Andrew com Epstein, a alegria maliciosa nas ruas britânicas foi destacada pela advogada Emma Carter. A mulher de 55 anos, natural de Essex, a leste de Londres, sorriu ao dizer que Andrew "merece" ser preso. "Ele tem se escondido atrás de seus privilégios e da popularidade da rainha por muitos anos."

"Ele deveria ter sido preso há muito tempo, francamente. Ele simplesmente abusou completamente da sua posição", disse ela à AFP.

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Maggie Yeo, de 59 anos, também recebeu a notícia com um sorriso. "Eu pensava que eles [a família real] eram intocáveis. É bom saber que eles não estão acima da Justiça", disse ela à AFP. "Pelo menos a justiça britânica está funcionando." Yeo disse que sentia pena de Charles, que insistiu que a polícia deveria ter permissão para realizar a investigação. "Ele está sofrendo de câncer. Provavelmente não estava totalmente ciente do passado do irmão."

Jennifer Tiso, uma analista de dados de 39 anos, também considerou positiva a mensagem transmitida pela prisão. "É bom que ele esteja pagando pelo que fez. E não acho que só porque você é parente da família real, você deva estar acima da lei ou receber um tratamento diferente das pessoas comuns", disse Tiso. "Acho que chegou a hora. Já aconteceu antes com estrelas do rock, superestrelas, e agora está chegando a lugares de maior poder, como a família real."

Andrew sempre negou qualquer irregularidade, mesmo tendo concordado em pagar uma quantia multimilionária para encerrar um processo movido por Virginia Giuffre, que o acusou de abuso, sem admitir qualquer responsabilidade.

'A coisa certa a fazer pelas vítimas'

Muitos britânicos pareciam acreditar que a família real era intocável. Uma pesquisa de opinião do instituto YouGov, divulgada na segunda-feira, indicou que 62% dos britânicos acreditam ser improvável que Andrew seja acusado. A notoriedade de Andrew, após anos de relatos sobre suas festas com Epstein, que tirou a própria vida na prisão em 2019, foi comprovada pelas reações do público.

Britânicos celebram prisão de ex-príncipe Andrew, investigado no caso Epstein

Carlos Jasso/AFP

Kevin, um aposentado de 66 anos da cidade de Salisbury, no sul da Inglaterra, que só revelou seu primeiro nome, disse que Andrew, filho da falecida rainha Elizabeth II, "não era inteligente" e era "arrogante".

"Não sou contra a família real, mas ele não dá o exemplo certo. Ele era o favorito da rainha. Ela gostava de protegê-lo."

A prisão foi importante, disse ele, pois o caso "envolve negócios, contratos, dinheiro e relações com estados estrangeiros". A prisão de Andrew em sua nova residência na propriedade de Sandringham do rei permanece restrita ao seu papel como enviado comercial entre 2001 e 2011, quando foi forçado a renunciar devido às suas ligações com Epstein.

As acusações de que Epstein pode ter organizado encontros sexuais para o ex-príncipe e outras pessoas na Grã-Bretanha ainda estão sendo avaliadas pela polícia britânica. A advogada Emma Carter ainda afirmou que a prisão foi "a coisa certa a fazer para as vítimas" dos abusos sexuais de Epstein.