Briga generalizada entre Cruzeiro e Atlético-MG pode virar caso de polícia

 

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A pancadaria generalizada entre 23 jogadores de Cruzeiro e Atlético na final do Campeonato Estadual de Minas Gerais, no ultimo domingo, além do constrangimento e da vergonha propagados mundo afora deverá ter desdobramentos ainda mais delicados. E não só para jogadores e clubes punidos, mas para a própria CBF. O risco de punição, em princípio limitado ao âmbito estadual, irá à esfera criminal, já com a promessa do devido encaminhamento ao Ministério Público, e por certo chegará à procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). O que isso significa? Simples: as suspensões até então restritas à competição estadual terão de ser cumpridas também nos eventos nacionais — algo até hoje inédito.

O problema é que isso não deve ocorrer tão cedo. O Cruzeiro, por exemplo, enfrenta o Flamengo esta noite, no Maracanã, pela quinta rodada do Brasileiro, e, no domingo, recebe o Vasco, no Mineirão — estádio que em vez de ter sido palco de uma bonita festa pela conquista do título mineiro acabou servindo de arena para o deprimente final de espetáculo. O julgamento no TJD-MG ainda não tem data marcada e, segundo nota da PM de Minas, o inquérito já instaurado só será encaminhado ao MP depois de cumpridas todas as etapas da investigação. Ou seja: algo sem prazo estipulado — vide o imbróglio do ano passado sobre o possível envolvimento de Bruno Henrique com apostas.

É bom lembrar que a entrada da polícia neste caso encontra base no Artigo 201 da Lei Geral do Esporte (Lei Federal nº 14.597, de 14 de junho de 2023) que versa sobre “promover tumulto, praticar ou incitar violência”. A pena prevê reclusão de até dois anos e/ou multa. Antes, porém, o acreano Paulo Emílio Dantas, procurador-geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, já deverá ter se manifestado com oferecimento de denúncia aos brigões. Ele, por certo, esperará o julgamento do TJD da Federação Mineira para decidir que postura adotar. Corre nos bastidores da CBF que o presidente da entidade, Samir Xaud, teria ficado incomodado e estaria ã espera de punições enérgicas.

Chamo atenção para a dimensão deste caso raramente visto de selvageria generalizada porque ele mais à frente, infelizmente, ocupará o noticiário esportivo. E justo em momentos decisivos, que é quando surgem manobras jurídicas e suspeitas de favorecimento em troca de favores políticos. Estaremos de olho.