Briga de retrovisor: BYD e Volks disputam quem lidera vendas de carro no Brasil

 

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No disputado mercado de venda de carros, duas das principais montadoras do país vêm disputando e ressaltando, em suas comunicações, o posto de líder de vendas. Primeiro, a BYD divulgou ter conquistado o posto de primeira companhia no ranking geral do varejo em abril, com vendas para pessoas físicas nas concessionárias. A chinesa, conhecida por automóveis elétricos, diz ter comercializado 14.911 unidades emplacadas no mês passado.

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Dias depois, a Volkswagen contra-atacou, destacando que também é líder de vendas no Brasil. A montadora, dona de modelos como Polo e T-Cross, lembrou que segue na liderança das vendas no varejo neste ano, com 59.205 unidades comercializadas entre os meses de janeiro e abril.

Mas, afinal, destacar a posição de liderança nas vendas é importante? Para especialistas em marketing e reputação, atingir o topo do ranking é uma espécie de chancela para o consumidor, em um momento em que o mercado atravessa mudanças estruturais, com o avanço de modelos elétricos e conectados.

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— Como itens como tecnologia, menor emissão de gases e segurança são de difícil comparação para o consumidor leigo, o volume de mercado se torna o argumento mais tangível. O objetivo das marcas é passar a mensagem de que existe uma preferência popular por determinada marca e modelo e que esse volume de vendas garante um maior investimento da marca em uma rede maior de concessionárias e peças — afirma Dario Menezes, diretor executivo da Caliber, consultoria internacional especializada em reputação corporativa.

O Tera é um dos carros mais vendidos pela Volkswagen no Brasil

Divulgação

Para ele, o argumento da liderança retroalimenta a confiança do consumidor, sugerindo que ele será melhor atendido por uma marca que vende mais:

— A narrativa sobre liderança de vendas no setor automobilístico é histórica e funciona como um ciclo virtuoso.

Dani Ribeiro, professora do curso de Liderança Criativa da Miami Ad School e responsável pela construção de marca de diversas montadoras, lembra que a confiança é um dos fatores mais determinantes na decisão de compra de um automóvel e na percepção de seu valor ao longo do tempo.

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Para ela, a imagem de liderança ajuda a construir marca, atrai concessionárias e investidores e facilita negociações com fornecedores e instituições financeiras:

— Declarar liderança é uma ferramenta poderosa porque cria prova social e acelera a construção de confiança, especialmente para novos entrantes, que ainda precisam superar resistências e dúvidas. Ou seja, converte consumidores indecisos ao sinalizar aceitação em massa. Isso é crucial em um mercado em que o carro é, ao mesmo tempo, um bem utilitário e um símbolo social, e as decisões de compra são fortemente influenciadas pelo custo total de propriedade e pela expectativa de revenda.

BYD diz que 56 mil carros foram comercializados até abril

Emerson Lima/Divulgação

Assim, a BYD, que usou dados próprios consolidados de vendas no varejo, atribuiu o resultado à procura crescente por modelos elétricos. A empresa lembra ainda que, em abril, atingiu seu maior patamar de vendas desde que chegou ao país, há quatro anos. Mas, entre janeiro e abril, foram mais de 56 mil carros comercializados, tanto nas concessionárias quanto em vendas diretas, atrás da Volks.

— O resultado do primeiro quadrimestre mostra uma expansão de 86% em relação ao mesmo período do ano anterior.

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Em comunicado divulgado ontem, a Volks lembrou também que as vendas no varejo de seus modelos registraram crescimento de 20,4% em relação ao mesmo período do ano passado. A empresa alemã ainda destaca que é dona dos modelos mais vendidos do país, como o Polo, no segmento de passeios e hatches, e T-Cross e Tera, entre os SUVs, de acordo com dados da Anfavea, associação que reúne as montadoras.

Leonardo Tosello, diretor de Vendas da Volkswagen do Brasil, por sua vez, afirma que a liderança mostra a força da marca e a conexão com o consumidor.

— Temos o portfólio mais completo do mercado e uma rede de concessionárias com 465 lojas em todas as regiões do país.