‘Briga de cachorro grande’: advogado relata intimidação em disputa por imóvel de Richarlison

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O advogado Reginaldo Mascarenhas relatou à Justiça do Rio de Janeiro que recebeu advertências de um profissional ligado ao advogado Willer Tomaz enquanto atuava em uma disputa envolvendo uma residência em uma ilha de Angra dos Reis (RJ). O imóvel está sob posse de Tomaz, mas o jogador de futebol Richarlison afirma ser seu proprietário da mansão, que estaria avaliada em cerca de R$ 10 milhões em uma negociação envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL), atual candidato à Presidência da República. As abordagens teriam acontecido em junho de 2022.

Os novos relatos foram divulgados pelo Uol nesta sexta-feira (23). “Retornei a ligação ao Dr.

Michael depois de um feriado, e este passou a me atacar, dizendo que eu estava mexendo em um vespeiro, que isso era uma briga de cachorro grande, que o sócio dele foi Ministro da Justiça, e que eu não sabia com quem eu estava mexendo, que iria me representar na OAB e que ele já estava em contato direto com o chefe da segurança pública e da Polícia Civil do Estado de São Paulo, para saber em qual circunstâncias foi lavrado o boletim de ocorrência na delegacia do idoso”, declarou Mascarenhas no processo.

De acordo com o advogado, as abordagens incluíram referências a pessoas influentes e possíveis medidas contra a atuação profissional de Mascarenhas. Conforme o relato, o episódio envolve o advogado Michael Gleidson Araújo Cunha, que atua em processos ao lado de Willer Tomaz. 

O advogado Reginaldo Mascarenhas afirmou que começou a receber contatos de um profissional identificado como Michael depois que assumiu a representação da idosa. Conforme o defensor, o interlocutor das conversas mencionou a dimensão da disputa e afirmou que ele estaria enfrentando pessoas com influência política e institucional.

Conforme o defensor, existe a possibilidade de uma representação contra o advogado perante a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), além de supostos contatos do interlocutor com autoridades da segurança pública paulista. O advogado Mascarenhas é responsável pela defesa de uma mulher de 82 anos que afirma ter sofrido um golpe relacionado à venda da propriedade.

Ele registrou nos autos do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) o teor de uma conversa telefônica na qual diz ter recebido advertências sobre as consequências de sua participação no caso. O advogado Willer Tomaz é amigo de Flávio Bolsonaro.

O senador da extrema direita é investigado em dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal atualmente. Um deles apura esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o defensor e tem o ministro Alexandre de Moraes como relator.

A outra investigação que cita o parlamentar apura o financiamento do filme Dark Horse pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A relatoria está com o ministro André Mendonça. 

Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro Imóvel foi vendido a Willer Tomaz por R$ 600 mil

A disputa tem origem na transferência de uma casa situada em uma ilha de Angra dos Reis, município da Costa Verde fluminense. O jogador Richarlison reivindica a propriedade, enquanto Willer Tomaz mantém a posse do imóvel.

O advogado Willer Tomaz adquiriu a residência em abril de 2022, por R$ 600 mil, de uma empresa que havia pertencido ao marido da idosa representada por Mascarenhas. O empresário morreu em 2010.

O valor declarado na negociação ficou abaixo da avaliação de R$ 2,6 milhões atribuída à propriedade pela Prefeitura de Angra dos Reis. Tomaz afirma que, além do pagamento pela aquisição, desembolsou outros R$ 3 milhões para quitar impostos e dívidas relacionados ao imóvel.

A diferença entre o preço da transação e a avaliação municipal integra o contexto da disputa sobre a propriedade, mas não comprova, isoladamente, irregularidade na negociação. Idosa afirma que casa já havia sido vendida em 2002

A mulher de 82 anos apresentou um boletim de ocorrência por suspeita de estelionato aproximadamente dois meses após a transação realizada com Willer Tomaz. De acordo com o relato, o marido e o então sócio minoritário da empresa venderam, em 2002, a sociedade empresarial e a residência localizada em Angra dos Reis.

A idosa sustenta que o filho do antigo sócio, também falecido, negociou novamente a propriedade em 2022, embora os antigos proprietários já tivessem concluído sua venda duas décadas antes. Na denúncia, a mulher afirma que o responsável pela nova transação se aproveitou de sua idade para obter assinaturas em documentos sem que ela conhecesse o conteúdo.

A idosa também relatou suspeitas de falsificação de sua assinatura em outros atos realizados perante cartório. A versão apresentada à polícia questiona, portanto, a legitimidade da segunda alienação do imóvel.

O registro policial não representa uma conclusão judicial sobre a ocorrência de fraude. Advogado citado mantém vínculos profissionais com Willer Tomaz

O advogado Michael Gleidson Araújo Cunha possui histórico de atuação em processos judiciais ao lado de Willer Tomaz. Além dessa relação profissional, Cunha acompanhou o cumprimento de um mandado de busca e apreensão contra Tomaz durante uma operação da Polícia Federal relacionada a investigações sobre desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em agosto de 2026.

O profissional também participou de processos em conjunto com Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça que integrou a sociedade Aragão e Tomaz Advogados Associados ao lado de Willer. A relação entre os profissionais aparece no relato de Mascarenhas porque, segundo ele, o interlocutor mencionou a passagem de um de seus sócios pelo Ministério da Justiça durante a conversa telefônica.

O registro apresentado ao TJ-RJ descreve as declarações atribuídas ao advogado, mas não estabelece que as ameaças tenham ocorrido da forma narrada. A apuração dessas circunstâncias depende da análise dos elementos disponíveis no processo.

A controvérsia permanece no âmbito judicial, onde as partes discutem os documentos e as circunstâncias das transferências da propriedade. O relato de Mascarenhas integra os autos como uma das informações relacionadas ao conflito sobre a casa reivindicada por Richarlison.

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