BRB entrega ao Banco Central plano para recompor R$ 5 bilhões após transações com o Master

 

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O BRB entregou ao Banco Central (BC) nesta sexta-feira um plano de ações para reforçar, em pelo menos R$ 5 bilhões, a composição e a robustez de seu próprio balanço. As medidas devem ser executadas em um prazo de até 180 dias, caso se confirme a necessidade de aporte financeiro na instituição controlada pelo governo do Distrito Federal.

A cifra foi estimada pelo BC para cobrir eventual prejuízo decorrente das operações de compra de carteira de crédito do Banco Master.

O documento foi entregue pessoalmente pelo novo presidente do banco estatal, Nelson de Souza, ao diretor de Regulação do Sistema Financeiro, Gilneu Francisco Astolfo Vivan. O secretário de Fazenda do Distrito Federal, Daniel Izaias, também participou da reunião.

"O documento entregue pelo BRB ao órgão regulador apresenta um conjunto de ações preventivas de recomposição de capital a serem implementadas nos próximos 180 dias, caso seja comprovada a necessidade de aporte financeiro. O BRB destaca que eventuais valores só serão definidos após a conclusão das investigações em andamento", informou o banco em nota.

O BRB descartou ao Banco Central, neste momento, um aporte direto do governo do Distrito Federal. Além disso, destacou que a alternativa mais imediata é o que chama de "solução de mercado", ou seja, a venda de carteiras de crédito do Master.

O plano inclui também uma linha de financiamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC); empréstimo concedido por um consórcio de bancos; e criação de um fundo imobiliário com ativos do governo local como garantia.

As medidas a serem tomadas terão que ser discutidas com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. Até agora, o mais provável é obter uma linha de financiamento do Fundo Garantidor de Créditos, em condições mais acessíveis, segundo interloutores do BRB.

O plano atende determinação do BC, após alerta sobre indícios de fraude em um volume de R$ 12,2 bilhões em carteiras adquiridas do Master. Do total, R$ 10 bllhões foram substituídos, mas ainda não se sabe a qualidade desses ativos. O Master foi liquidado em novembro pelo BC.

O valor final a ser coberto dependerá da venda de ativos do Master. A estratégia da nova diretoria do BRB é vender toda a carteira adquirida do Master no volume total de R$ 21,9 bilhões e assim, reduzir a necessidade de aporte para reforçar o capital do banco do Distrito Federal. Os R$ 12,2 bihões estão incluídos na cifra.

A direção do banco tem até 31 de março para apresentar o balanço de 2025. Até lá, será preciso definir o valor exato a ser provisionado (reservado).

Como mostrou O GLOBO, o resultado da necessidade de provisionamento do BRB dependerá das operações de vendas a serem executadas pelo banco estatal e uma empresa contratada, cujo rendimento estará atrelado a uma “taxa de sucesso”. Esse processo de venda de ativos começou no fim do mês passado.

A compra de carteiras do Master pelo BRB começou no segundo semestre de 2024 e culminou com o plano do ex-presidente do banco Paulo Henrique Costa em comprar o Master. O negócio foi anunciado em março do ano passado e vetado pelo BC em setembro.