Brasília envelhece e mercado de cuidadores de idosos cresce 74%

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Fonte da notícia: Correio Brazilliense Correio Brazilliense

Brasília está envelhecendo, e a mudança impõe novos desafios às famílias. Segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pessoas com 60 anos ou mais representam cerca de 13% da população do Distrito Federal, o equivalente a aproximadamente 366 mil moradores. Com o aumento da longevidade, cresce a necessidade de cuidados que vão além da alimentação, da higiene e do acompanhamento médico, incluindo a preservação da memória, da autonomia e do bem-estar emocional.A tendência acompanha a expansão nacional do mercado de cuidadores. Entre 2020 e 2025, o número de micro e pequenas empresas voltadas ao apoio e à assistência domiciliar a idosos e pacientes cresceu 74%, segundo levantamento do Sebrae com base em dados da Receita Federal. Somente em 2025, foram abertos 57,2 mil novos CNPJs na atividade. O avanço reflete uma demanda crescente por profissionais que auxiliem as famílias a conciliar trabalho, responsabilidades domésticas e cuidados com parentes idosos.Leia também: Mercado volta a elevar expectativa de inflação para 2026, próxima de 5%Para Bruno Butenas, fundador da Geração de Saúde, empresa paranaense especializada em assistência domiciliar, o crescimento demonstra que as famílias reconhecem cada vez mais a importância de profissionais capacitados. “A longevidade é uma grande conquista da sociedade, mas ela também exige preparo. As famílias estão percebendo que cuidar de uma pessoa idosa não significa apenas estar ao lado dela. É preciso conhecer sua rotina, entender suas limitações, observar mudanças de comportamento e oferecer segurança. Quando existe uma avaliação técnica dos cuidadores, conseguimos dar mais tranquilidade tanto ao idoso quanto à família”, afirma.A empresa registrou crescimento de 200% no número de idosos atendidos em um ano, passando de aproximadamente 100 atendimentos mensais, em janeiro de 2025, para mais de 300, em janeiro de 2026. No mesmo período, a rede passou de 200 para mais de 700 cuidadores capacitados.Butenas ressalta que contratar um profissional também exige organizar escalas, substituições, capacitação e acompanhamento do serviço. “Quando a família faz uma contratação individual, acaba assumindo não apenas a escolha do cuidador, mas também a organização de horários, substituições, orientação, acompanhamento e diversas responsabilidades relacionadas ao serviço. A proposta de uma estrutura especializada é justamente organizar todo esse processo e fazer com que a família possa voltar a exercer principalmente o papel de família”, explica.Leia também: Geração prateada: aumento da expectativa de vida impulsiona economiaAlém dos cuidados físicos, especialistas alertam para a necessidade de estimular as habilidades cognitivas e preservar a participação do idoso nas decisões cotidianas. Para Patrícia Lessa, diretora pedagógica do Supera, rede especializada em estimulação cognitiva, a memória, o raciocínio e a autonomia precisam integrar a rotina de assistência.“Todo mundo entende que o idoso precisa de cuidado físico, como alimentação, medicação, higiene e ajuda para se movimentar. Mas existem outras questões importantíssimas que acabam ficando fora do radar, justamente aquelas que sustentam quem a pessoa é: a memória de suas histórias, a capacidade de decidir sobre a própria vida e o direito de continuar se reconhecendo, interagindo e aprendendo”, destaca.Segundo Patrícia, o crescimento do mercado mostra que as famílias já perceberam a necessidade de ajuda, mas o cuidado não deve se limitar às tarefas físicas. Conversar sobre acontecimentos importantes, recordar histórias familiares, ouvir músicas conhecidas e participar de jogos são formas de estimular o cérebro. Atividades como preparar receitas, cuidar de plantas e organizar objetos pessoais também podem ajudar, desde que sejam seguras e compatíveis com as capacidades de cada pessoa.“É importante garantir a preservação de memórias que ainda estejam intactas. Conversas sobre histórias de vida, fotos da família e de fatos importantes da vida espalhadas pelos espaços por onde o paciente circula e músicas têm um poder enorme e dificilmente são esquecidas com o declínio cognitivo. Cante músicas de quando o paciente era jovem e convide-o a cantar junto. Essas são ações simples que têm um resultado muito interessante”, orienta.A convivência social também é fundamental para identificar mudanças de comportamento, humor e memória. A psicóloga, neuropsicóloga e psicanalista Cristiane Belmonte, diretora da Belmonte Saúde, alerta que a ausência de vínculos pode fazer com que sinais importantes passem despercebidos.“Quando existe uma família por perto, alguém nota que o pai está repetindo as mesmas perguntas, que a mãe esqueceu de pagar uma conta que sempre pagou, que a rotina mudou. Sem esse olhar próximo e contínuo, pequenas alterações de memória, humor ou comportamento passam despercebidas por muito tempo”, explica.Em Brasília, o desafio vai além de ampliar a oferta de profissionais: envolve construir uma rede de cuidados que combine assistência, segurança, convivência e estímulos à independência. Para Patrícia Lessa, a estimulação cognitiva pode beneficiar idosos em diferentes condições, desde que respeite as necessidades individuais.“A família e o paciente ganham ‘tempo’: tempo de autonomia, de conversa, de convivência. Ganham também um pouco de alívio, porque cuidar de alguém que ainda participa da própria vida é bem menos pesado do que cuidar de alguém que já não reconhece o próprio quarto ou as pessoas que estão por perto”, conclui. Saiba Mais Revista do Correio Por que incluir a abóbora na alimentação? 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