Brasileiros defendem diálogo como forma de educação, mas violência infantil persiste

Brasileiros defendem diálogo como forma de educação, mas violência infantil persiste

Fonte: Bandeira



Embora nove em cada dez brasileiros defendam o diálogo como a melhor forma de educar crianças, a violência física e verbal continua presente nas práticas cotidianas de parte significativa da população, segundo pesquisa divulgada pelo Instituto Futuro é Infância Saudável (Infinis), em parceria com a Quaest.

O levantamento também mostra que 74% dos brasileiros acreditam que a violência contra crianças e adolescentes aumentou nos últimos anos, indicando que o problema continua sendo percebido como um desafio para o país.

De acordo com o estudo, 91% dos brasileiros afirmam que o diálogo é a principal forma de corrigir comportamentos infantis.


Apesar disso, 62% admitem já ter gritado com uma criança, 49% reconhecem ter dado tapas e 27% dizem ter usado objetos para bater.


Em comparação com a primeira edição da pesquisa, realizada em 2023, houve redução nesses indicadores, mas os pesquisadores avaliam que a violência continua naturalizada nas relações familiares.

A pesquisa também aponta que 62% dos entrevistados afirmam que não interfeririam ao presenciar uma criança recebendo palmadas ou puxões de orelha em um espaço público.


Para o Infinis, os resultados evidenciam a permanência de um ciclo intergeracional de violência, mesmo diante do avanço da conscientização sobre os direitos da infância.

A pesquisa também identificou desafios relacionados aos direitos da infância.

Embora 93% afirmem que os estudos devem ser prioridade para crianças, 61% consideram aceitável o trabalho infantil para evitar que crianças permaneçam nas ruas.


Além disso, 88% acreditam que adolescentes devem trabalhar se quiserem, 71% entendem que eles devem trabalhar quando os pais determinarem e outros 71% não conseguiram citar nenhuma legislação voltada à proteção da infância.

O levantamento também mediu a confiança da população em instituições ligadas à proteção de crianças e adolescentes.

Os maiores índices de confiança foram registrados para psicólogos (60%), seguidos pela polícia (49%), Conselho Tutelar (46%), assistentes sociais e Centros de Referência de Assistência Social (42%) e Unidades Básicas de Saúde e hospitais (40%).


A pesquisa também mostra que brincar continua sendo a principal característica associada à infância pelos brasileiros.

Os resultados servirão de base para os debates do 8º Fórum de Políticas Públicas da Saúde na Infância, que será realizado em 30 de setembro, em São Paulo, pelo Infinis.

Durante o encontro será apresentada a versão completa do estudo, com análises, recortes temáticos e recomendações para o fortalecimento das políticas públicas voltadas à proteção integral da infância.