Brasileiro sofre 202 tentativas de golpe por ano; perdas chegam a R$ 21,2 bilhões

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Fonte da notícia: Valor Valor

O brasileiro sofre, em média, 202 tentativas de golpe por ano, segundo dados do relatório “O Estado dos Golpes no Brasil 2026”, elaborado pela Global Anti-Scam Alliance (Gasa), uma entidade global sem fins lucrativos. Com um prejuízo médio de R$ 1.287 por parte das vítimas de golpes, chega-se a uma perda anual estimada de R$ 21,245 bilhões.

“Os golpes digitais passaram a fazer parte da rotina. O fato de um terço das pessoas terem perdido dinheiro mais de uma vez em um intervalo de 12 meses é especialmente preocupante, porque destaca um ciclo de vulnerabilidade encorajado pelos criminosos. Isso reforça a necessidade de prevenção, educação e resposta rápida, com atuação coordenada entre empresas, plataformas, instituições financeiras, autoridades e sociedade civil”, afirma Renata Salvini, diretora do capítulo brasileiro da Gasa.

Os principais canais de disseminação de golpes são ligação telefônica (53%), aplicativos de mensagens instantâneas (49%) e e-mail (39%).

A pesquisa mostra que 56% dos adultos brasileiros que se depararam com um golpe interagiram com ele. Dos que interagiram, 25% tiveram dinheiro roubado. Os tipos de golpes mais comuns são os de compras on-line (61% dos entrevistados já se depararam com eles), dinheiro inesperado (56%) e boleto falso (53%).

Entre as pessoas que enviaram dinheiro para os golpistas, 33% o fizeram via transferência bancária, 32% usaram ferramentas de pagamento instantâneo (como o Pix) e 16% realizaram o pagamento com cartão de débito/crédito. Até por isso, quando questionados sobre a quem denunciaram o golpe, o banco ou provedor de pagamento aparece em primeiro lugar, com 42%. Na sequência estão polícia (30%) e família/amigos (29%).

Reembolso Das pessoas que relataram perdas, 14% dizem que foram reembolsadas parcial ou totalmente e outras 9% afirmam que os bancos ou as autoridades conseguiram recuperar total ou parcialmente o dinheiro que havia sido enviado aos golpistas. Ainda assim, 19% das pessoas que sofreram um golpe nos últimos 12 meses não o reportaram. Entre os principais motivos para isso estão: não saber a quem denunciar (48%), não achar que uma denúncia faria diferença (36%) e vergonha de reportar (30%).

Quando questionados sobre quem tem a maior responsabilidade pela proteção das pessoas contra golpes, 26% a atribuem à plataforma on-line usada pelo golpista, 17% afirmam ser o governo e 14% acreditam que a responsabilidade é deles mesmos. Entre aqueles que consideram que o banco/provedor de pagamentos é o principal responsável, essas instituições têm uma boa avaliação sobre prevenção/resolução de fraudes. Dos entrevistados, 51% dizem que é fácil denunciar o golpe para uma instituição financeira; 49% afirmam que elas promovem ações de educação financeira e 48% citam o bloqueio/prevenção de realizar um pagamento.

“Os bancos cobrem todas as etapas do funil do golpe, por isso são bem avaliados no ranking de prevenção/resolução de fraudes. É óbvio que a gente não vai conseguir transformar o consumidor em um especialista em fraudes, mas é preciso investir em educação financeira e em campanhas de conscientização”, comenta Renata.

Para 61% dos brasileiros, os bancos sempre devem ser responsáveis por reembolsar uma vítima de golpe. Outros 25% dizem que eles são responsáveis apenas quando falham em proteger o consumidor; para 13%, quando estiveram envolvidos de qualquer forma no golpe; para 7%, se fizeram parte da transação de alguma outra forma e, para 4%, eles não devem ser responsabilizados.

Uma fatia de 80% acredita que os bancos devem bloquear transações acima de um determinado valor ― mesmo sem a permissão do cliente ― se acreditarem que pode ser um golpe. Para 63%, seria bom permitir que bancos, operadoras de telecomunicações e agências de aplicação da lei compartilhem dados do consumidor se acreditarem que alguém está sendo enganado ou está envolvido em um golpe.

A importância de denunciar A diretora da Gasa ressalta a importância da denúncia para o combate às fraudes, já que a informação ajuda a derrubar perfis falsos, bloquear contas usadas por criminosos, evitar novas vítimas e mapear padrões de atuação dos golpistas. “É importante denunciar, mesmo pequenos valores, porque as autoridades usam esses dados para definir a estratégia de combate aos golpes”, aponta.

O estudo revela que o impacto dos golpes vai além do prejuízo financeiro. No geral, 76% das vítimas consideram que houve uma alteração significativa ou moderada em seu bem-estar.

Impacto emocional “O crime digital pode trazer consequências como ansiedade e desconfiança constante. O impacto emocional depende do quanto a pessoa perdeu, da fatia daquilo na sua renda. Para um idoso que perde todas as economias de uma vida, ou para uma pessoa que tem um prejuízo maior com investimento, ou alguém que cai no chamado ‘golpe do amor’, o impacto emocional é maior”, lembra Salvini.

Pixabay

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