O crescimento do jiu-jitsu brasileiro na Europa ganhou novos capítulos nos últimos anos, especialmente em Portugal. Entre atletas, professores e organizadores de eventos, brasileiros passaram a ocupar funções estratégicas no desenvolvimento da modalidade no continente. Um dos nomes inseridos nesse movimento é o do brasileiro Sandro Barbosa, faixa-preta de jiu-jitsu, ex-lutador de MMA e atualmente coordenador de arbitragem de grandes eventos em Portugal.
Morando há sete anos no país europeu, Sandro construiu uma trajetória dentro e fora do tatame. Hoje atua como professor, formador de atletas e coordenador de arbitragem do ADCC Portugal – Iberian Open 2026, marcado para o próximo dia 30, em Lisboa. Também integra quadros de arbitragem de eventos da IBJJF, como o Europeu, além de atuar em competições da federação portuguesa.
Na visão dele, o salto técnico do jiu-jitsu europeu está diretamente ligado à chegada de brasileiros ao continente.
“Desde a minha chegada, percebi que muitos brasileiros vieram para Portugal e também para a Espanha. Isso elevou muito o nível do jiu-jitsu europeu. Hoje o jiu-jitsu aqui está muito forte e em crescimento constante”, afirmou.
Sandro acredita que a Europa pode, nos próximos anos, se aproximar das grandes potências da modalidade.
“Talvez em dois ou três anos a Europa já esteja em um nível parecido com os Estados Unidos e até com o Brasil em algumas categorias. O crescimento técnico está sendo muito grande.”
Mesmo apontando a evolução europeia, ele ainda vê o Brasil como principal referência mundial da modalidade.
“O brasileiro continua sendo referência técnica no mundo inteiro. Ainda somos os melhores. Isso é indiscutível”, disse.
Segundo Sandro, Portugal vive atualmente um cenário de expansão impulsionado principalmente pela cultura competitiva do esporte. Ele observa que boa parte dos praticantes busca o jiu-jitsu voltado ao alto rendimento.
“A procura aqui é muito ligada à competição. O pessoal gosta muito de competir. Depois das conquistas de atletas brasileiros que vivem em Portugal, como os irmãos Vitorace, o esporte teve um crescimento muito forte por aqui.”
A experiência como ex-lutador de MMA também influencia diretamente sua atuação fora das lutas. No cage, foram seis vitórias em nove lutas, tendo pendurado as luvas em 2006. vindo de três triunfos seguidos. Sandro afirma que levou para a arbitragem e para a coordenação de eventos a disciplina adquirida nos anos dentro do cage.
“No MMA aprendemos muito sobre foco, disciplina e resiliência. Hoje tento aplicar isso na coordenação dos eventos. A gente veste a camisa do evento e trabalha para ter a menor margem de erro possível.”
À frente da arbitragem do ADCC Portugal – Iberian Open 2026, ele diz enxergar o torneio como um dos eventos mais importantes do grappling europeu na atualidade.
“É um evento gigantesco. Estamos muito próximos de ter etapas que classificam diretamente para o ADCC principal. Fazer parte dessa organização é uma honra muito grande para mim.”
O crescimento do esporte, segundo ele, também obrigou a arbitragem a evoluir. Sandro destaca que hoje existe uma preparação muito maior dos árbitros europeus em comparação aos primeiros anos em que chegou ao continente.
“Há sete anos não existia o nível de arbitragem que temos hoje. Atualmente temos árbitros preparados para atuar em grandes eventos internacionais.”
Outro ponto observado por ele é a mudança no próprio público da modalidade. Para Sandro, o jiu-jitsu deixou de ser visto apenas como uma luta de difícil compreensão para quem está fora do meio.
“Hoje o público entende muito mais as regras. Antes as pessoas viam dois atletas se agarrando. Agora já sabem identificar passagem de guarda, montada e pontuação. Isso mostra o crescimento mundial do esporte.”
Sandro também acredita que a Europa oferece um ambiente mais estruturado para o desenvolvimento profissional dos atletas, principalmente na questão financeira.
“Aqui é mais fácil conseguir patrocínio do que no Brasil. Existe mais incentivo das empresas e maior visibilidade para as marcas que investem nos atletas.”
O reconhecimento internacional veio justamente através da arbitragem e da coordenação de eventos. Segundo ele, os convites recebidos nos últimos anos foram determinantes para perceber o espaço que conquistou no cenário europeu.
“Quando recebi o convite para coordenar eventos da ESJJF na Europa e depois para coordenar o ADCC, entendi que estava me tornando uma referência aqui. Isso é fruto de muito trabalho sério.”
Ao olhar para a própria trajetória fora do Brasil, Sandro aponta o reconhecimento profissional como sua principal conquista.
“O que mais me orgulha é ver meu trabalho sendo reconhecido internacionalmente. Isso me motiva a continuar buscando fazer um trabalho sério, correto e justo dentro do cenário mundial do jiu-jitsu.”
