Brasileiro preso em Israel relata ameaças e pode pegar pena de 100 anos
O brasileiro Thiago Ávila, detido em Israel após a interceptação de uma flotilha com ajuda humanitária destinada à Faixa de Gaza, pode enfrentar uma pena de até 100 anos de prisão. A atualização foi divulgada pela nesta segunda-feira (4), que também denuncia condições consideradas severas dentro da unidade prisional. As informações são do Metrópoles.
Segundo relatos da esposa, Lara Souza, Ávila tem sido alvo de ameaças de morte e permanece em isolamento. Ele estaria submetido a luzes acesas durante todo o tempo, situação que pode provocar desorientação e privação de sono, além de enfrentar baixas temperaturas e interrogatórios frequentes.
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De acordo com a família, o brasileiro permanece em cela solitária e é vendado sempre que precisa sair do espaço, inclusive durante atendimentos médicos. Os interrogatórios, conforme o relato, chegam a durar até oito horas e têm foco na atuação da flotilha da organização Global Sumud.
A defesa afirma que foram apresentadas cinco acusações contra o ativista, incluindo suspeitas de associação com terrorismo e colaboração com o inimigo em contexto de guerra. Os advogados sustentam, no entanto, que não há provas formais que sustentem as acusações até o momento.
A Justiça de Israel decidiu prorrogar a detenção de Thiago Ávila por mais dois dias. Uma nova audiência está prevista para esta terça-feira (5), quando o caso deve ser reavaliado pelas autoridades locais. O brasileiro foi preso na última quarta-feira (29), durante uma operação das forças israelenses contra uma flotilha que seguia em direção a Gaza. A interceptação ocorreu em águas internacionais, nas proximidades da Grécia.
A embarcação fazia parte de uma ação organizada por um grupo internacional que levava ajuda humanitária à região. Ao todo, cerca de 175 ativistas, distribuídos em mais de 20 embarcações, foram detidos durante a operação, segundo os organizadores. A organização de direitos humanos Adalah informou que Ávila relatou aos advogados ter sofrido agressões durante a abordagem, incluindo episódios de violência física que teriam provocado desmaio.
