Brasileiro detido nos EUA é libertado e reencontra filha em tratamento contra câncer após dois meses
Um brasileiro que estava sob custódia das autoridades de imigração dos Estados Unidos desde fevereiro foi libertado nesta semana e conseguiu se reunir com a filha de seis anos, em tratamento contra câncer, após cerca de dois meses de separação. Bruno Guedes da Silva deixou o Centro de Processamento do Vale de Moshannon nesta terça-feira (15), mediante pagamento de fiança de US$ 5.000, segundo o site TribLive.
Ramagem é liberado de custódia do ICE nos EUA
'Foram dias duros', diz mulher de Ramagem após soltura de ex-diretor da Abin preso nos EUA pelo ICE
Preso por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), Guedes da Silva era investigado por suposto porte ilegal de arma de fogo. As acusações, no entanto, foram retiradas na semana passada. O caso envolvia a alegação de que ele teria mentido sobre seu status imigratório ao tentar comprar uma arma em julho de 2024, versão negada pela defesa.
Após a libertação, o brasileiro foi levado por amigos da família ao Hospital Infantil de Pittsburgh, onde a filha, Maria Paula de Araujo Guedes, realiza tratamento contra linfoma de Hodgkin.
Campanha mobiliza apoio e arrecada mais de US$ 100 mil
Durante o período em que esteve detido, a família criou uma campanha na plataforma GoFundMe para custear o tratamento da criança. Até a noite desta quarta-feira (15), a arrecadação havia ultrapassado US$ 101 mil.
Em nota, familiares agradeceram à decisão judicial e destacaram o trabalho da defesa. O comunicado menciona o advogado criminal Tom Farrell e o Ministério Público do Condado de Allegheny, responsável por retirar as acusações. Também cita o advogado de imigração Peter Rogers, cuja atuação foi considerada decisiva para a libertação.
Guedes da Silva solicitou asilo nos Estados Unidos em 2022, alegando que sofreu ameaças no Brasil por atuar como agente penitenciário. Segundo Farrell, em entrevista à WTAE-TV, ele recebeu autorização de trabalho, número de Seguro Social e carteira de motorista ao entrar no país.
De acordo com a defesa, ao tentar adquirir uma arma em uma loja na cidade de McCandless, o brasileiro respondeu negativamente a uma pergunta sobre permanência ilegal no país em um formulário federal. A compra foi negada, mas ele não foi informado sobre eventual irregularidade, o que levou à emissão de um mandado de prisão sem seu conhecimento.
“Tudo o que o governo lhe disse foi que ele tinha permissão para estar no país”, afirmou Farrell.
Ainda não há definição sobre a continuidade do processo imigratório. O Departamento de Segurança Interna e o ICE não detalharam os próximos passos do caso.
