Brasil vende US$ 134,6 bilhões à China em 12 meses e bate recorde

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Fonte da notícia: Cafezinho Cafezinho

As compras chinesas de produtos brasileiros atingiram a marca histórica de US$ 134,6 bilhões no acumulado em doze meses encerrado em setembro de 2026, um avanço de 18,4% em relação aos US$ 113,7 bilhões registrados nos doze meses imediatamente anteriores, segundo as estatísticas consolidadas pela Administração Geral de Alfândegas da China.

No mesmo intervalo de doze meses, a corrente bilateral de comércio entre os dois países chegou ao recorde de US$ 219,8 bilhões pelo critério de desembarque nos portos chineses, superando com folga os US$ 191,4 bilhões apurados no ciclo anual anterior e consolidando o Brasil como o principal fornecedor de alimentos, energia e matérias-primas para o mercado chinês.

O avanço do intercâmbio com o Brasil ocorre em um momento em que o comércio exterior global da China também renova máximas históricas. No acumulado em doze meses até setembro de 2026, o superávit comercial total da China com o resto do mundo alcançou US$ 1,14 trilhão, impulsionado pelo salto nas exportações chinesas de veículos elétricos, baterias, equipamentos de geração solar, máquinas industriais e semicondutores para a Ásia, a América Latina, a África e o Oriente Médio.

Enquanto mantém saldo amplamente superavitário com os Estados Unidos e a União Europeia, Pequim sustenta um déficit estrutural elevado na relação bilateral com o Brasil, de onde importa volumes crescentes de grãos, óleo bruto e proteínas animais. Evolução da corrente de comércio e das vendas do Brasil à China no acumulado em 12 meses e de janeiro a setembro (em US$ bilhões).

Fonte: Administração Geral de Alfândegas da China (GACC). No acumulado do ano, entre janeiro e setembro de 2026, o Brasil vendeu US$ 103,88 bilhões em mercadorias à China, alta de 20,9% na comparação com os US$ 85,92 bilhões contabilizados nos nove primeiros meses de 2025 e também acima dos resultados de toda a série anterior entre 2021 e 2024.

No sentido inverso, as vendas de produtos manufaturados, componentes eletrônicos, fertilizantes e equipamentos elétricos da China para o mercado brasileiro somaram US$ 65,16 bilhões de janeiro a setembro de 2026, levando a corrente bilateral acumulada no ano a US$ 169,04 bilhões.

Com esse resultado, o saldo comercial acumulado em nove meses ficou positivo para o Brasil em US$ 38,72 bilhões, o maior superávit já obtido pelo país com um único parceiro comercial nesse intervalo do calendário. Apenas no mês de setembro de 2026, os embarques brasileiros contabilizados pela alfândega chinesa somaram US$ 11,01 bilhões, acima dos US$ 9,48 bilhões registrados em setembro de 2025, enquanto as compras brasileiras de produtos chineses totalizaram US$ 9,67 bilhões no mês.

O saldo mensal de setembro ficou positivo para o Brasil em US$ 1,34 bilhão, refletindo a sazonalidade típica do início do outono no hemisfério norte, quando os importadores brasileiros antecipam encomendas de máquinas, painéis fotovoltaicos e bens de consumo para o último trimestre do ano.

Três frentes explicam a aceleração das compras chinesas de produtos brasileiros ao longo dos últimos doze meses. A primeira é a substituição de fornecedores norte-americanos por produtores brasileiros nas aquisições de soja em grão, milho e algodão pelas estatais e processadoras de alimentos da China.

A segunda é o aumento das vendas diretas de petróleo bruto extraído dos campos do pré-sal para refinarias independentes e estatais nas províncias costeiras chinesas. A terceira é a habilitação de dezenas de novos frigoríficos brasileiros de carne bovina, suína e de aves ao longo de 2025 e 2026, que ampliou o acesso da proteína nacional às redes de varejo do interior da China.

Outro ponto relevante da comparação entre as estatísticas de Pequim e de Brasília está na diferença metodológica entre os dois levantamentos oficiais. Enquanto a Secretaria de Comércio Exterior do Brasil contabiliza as exportações pelo valor da mercadoria colocada no navio nos portos brasileiros, a alfândega chinesa registra as importações incluindo o custo do frete marítimo internacional e do seguro até os terminais de Xangai, Ningbo, Qingdao e Guangzhou.

Como a distância marítima entre o Atlântico Sul e o Mar da China exige viagens de trinta a quarenta dias em grandes graneleiros e petroleiros, o valor apurado na chegada à China supera em cerca de 20% o registro de saída nos portos brasileiros. Do lado das compras brasileiras, a pauta vinda da China mudou de perfil nos últimos três anos.

Além de circuitos integrados, telefones e insumos químicos para o agronegócio, ganharam peso os ônibus e caminhões elétricos, os transformadores de alta tensão e as máquinas voltadas à modernização de fábricas e parques de energia renovável no Brasil. Mantido o ritmo verificado até setembro, o comércio bilateral medido pela alfândega chinesa deve encerrar o ano de 2026 acima do patamar de US$ 225 bilhões, estreitando a integração logística e financeira entre as duas maiores economias de seus respectivos blocos regionais.

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