Brasil vence o Rainbow Six Invitational, domina o competitivo e mira o futuro
O Rainbow Six Invitational 2026, principal torneio do shooter da Ubisoft, chegou ao fim neste domingo (15), em Paris, após a disputa entre a brasileira FaZe Clan e a europeia Team Secret, que terminou com 3 a 1 os brasileiros. Campeão em 2024 e também em 2025, o país defendeu o tricampeonato e segue como um dos grandes destaques do cenário mundial do FPS. O sucesso das equipes brasileiras não só movimenta cifras e atrai investimentos para o game no país, como também desperta o interesse de cada vez mais jovens em ascender ao competitivo e se tornarem pro players de R6.
A convite da Ubisoft, o TechTudo esteve em Paris para acompanhar o Six Invitational e conversou com Leandro “Montoya” Estevam, diretor de esports da Ubisoft para a América Latina, Sebastien Ratto, diretor do competitivo do game e Ivan Roichman, manager da FaZe Clan. Eles falaram sobre o momento atual do cenário e as perspectivas para o futuro dos esports de Rainbow Six. A seguir, entenda como o Brasil chegou a esse patamar e o que esperar do futuro.
🎮 Finais do Six Invitational: confira chaveamento e brasileiros do torneio
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Brasil foi tricampeão do Invitational entre 2024 e 2026
Luiza M. Martins/TechTudo
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De onde saiu o domínio das equipes brasileiras no Rainbow Six? Entenda
O Brasil tem se consolidado como potência no competitivo de R6 nos últimos anos, com diferentes equipes disputando os principais torneios do shooter. Em 2024, o Invitational, realizado em São Paulo, teve uma final 100% brasileira entre W7M Esports e FaZe Clan. No ano seguinte, em Boston, o título ficou com a própria FaZe, que venceu a equipe suíça Team BDS. Até a edição brasileira, o país já havia acumulado US$ 9,7 milhões em premiações, valor que cresceu consideravelmente com os resultados dos anos seguintes.
Na edição de Paris, o Brasil chegou em peso desde as classificatórias, com cinco equipes na disputa por vagas: Black Dragons, que não conseguiu avançar às eliminatórias; Ninjas in Pyjamas, eliminada nessa fase; além de FURIA, Fluxo, W7M e FaZe Clan, que seguiram na briga pelas vagas nas finais. O Invitational contou ainda com um confronto brasileiro nas quartas de final, encerrado com a vitória da Fluxo W7M sobre a FURIA.
FaZe Clan é a representante brasileira na final do Invitational 2026
Divulgação/Ubisoft
Também vale ressaltar que, entre 2020 e 2026, o Brasil disputou seis finais do mundial, ganhando duas delas. Para além de FaZe Clan e Fluxo W7M, a Ninja in Pyjamas também foi destaque nas disputas anteriores. Já em Paris, mesmo nas equipes estrangeiras que se destacaram, havia membros brasileiros, como os técnicos Julio "Julio" Giacomelli (Falcons) e Marlon "Twister" Mello (Team Secret).
A dominância brasileira no cenário é consequência de fatores que vão desde a chegada de jogadores de destaque mundial às equipes, há alguns anos, até o investimento contínuo na profissionalização do R6. O período da pandemia, por exemplo, é reconhecido por nomes do meio como um momento em que o país foi assertivo ao investir em ligas, infraestrutura e desenvolvimento interno. Não à toa, desde a retomada dos campeonatos, o Brasil tem sido tão bem-sucedido nas disputas.
Rainbow Six Invitational 2026 chegou a ter cinco equipes brasileiras classificadas para as eliminatórias
Luiza M. Martins/TechTudo
De acordo com Leandro “Montoya” Estevam, diretor de esports da Ubisoft para a América Latina, o destaque do Brasil no game vem de antes disso: o cenário competitivo se desenha dessa forma desde 2017. Segundo o executivo, ele foi fomentado com muita qualidade desde o início.
O investimento de longo prazo da Ubisoft permitiu que as organizações entrassem nas competições com a certeza de que continuaríamos sustentando esse cenário competitivo. Isso se tornou uma estratégia para atrair parceiros. Tanto que estamos aqui 10 anos depois e estaremos em mais 10.”
Esse contexto fez com que diversas empresas se sentissem seguras para entrar no cenário, já que se trata de um ecossistema vencedor e no qual o Brasil se tornou uma espécie de “menina dos olhos” do mundo. Há qualidade nas transmissões, as equipes entregam resultados e o time de executivos consegue atrair ainda mais investimentos para as ligas. Trata-se, portanto, de um ambiente que se retroalimenta, aumentando a profissionalização a cada ano — e cuja tendência, segundo a empresa, é de expansão contínua.
O futuro do Rainbow Six
O Rainbow Six, no entanto, deve passar por mudanças e reestruturações nos próximos anos, sobretudo quando se leva em conta o tempo do game e do competitivo no mercado. Ainda assim, segundo Sebastien Ratto, diretor do competitivo, os cortes e cancelamentos anunciados pela Ubisoft no início de 2026 não afetam R6 nem o cenário de esports do jogo. “Nenhuma equipe de produção, nem mesmo as equipes de esports, foi afetada. Estamos totalmente focados no ano que vem e já temos o próximo ano planejado”, afirmou.
Ratto descreveu o futuro do competitivo como promissor. Rainbow Six Siege será um dos títulos a disputar a Copa do Mundo de Esports, torneio inédito com 16 modalidades, previsto para novembro deste ano, em Riade, na Arábia Saudita. Além disso, durante o Invitational, foi anunciado que o competitivo do game será expandido para cinco novas regiões da Ásia, com a criação da nova liga CNL.
O competitivo do Rainbow Six Invitational será promissor, de acordo com a equipe
Divulgação/Ubisoft
Ainda assim, há desafios importantes no horizonte. Um deles é planejar a longevidade do FPS diante de novas circunstâncias e públicos. Como explicou Montoya, uma das grandes questões é adequar o game às novas gerações. “As pessoas envelhecem e novos fãs chegam. Por isso, estamos sempre olhando para o que pode despertar o interesse dessa nova base. Continuar relevante para o público é sempre um desafio, e é algo em que gastamos muita energia”, destacou.
Essas mudanças também passam pelos jogadores. Após tantos anos ocupando esse espaço, ídolos geracionais como Nesk já se aposentaram ou estão em processo de transição. Lidar com novos rostos e planejar formas de manter o game atrativo para o público e para aspirantes a jogadores é outra frente de investimento, segundo Ratto. Um dos métodos citados é o desenvolvimento de oportunidades locais, com torneios voltados à identificação de novos talentos, além do uso de ferramentas mais precisas para monitorar jogadores em ascensão.
É preciso oferecer o maior número possível de oportunidades para que esses talentos locais possam crescer, desde os torneios até o trabalho conjunto com organizações profissionais, garantindo essa conexão e assegurando que eles entendam a estrutura e os campeonatos que vamos desenvolver.
A profissionalização no R6 e a descoberta de novos talentos
Por conta desses fatores, Rainbow Six é hoje um dos games com cenário competitivo considerado estável e com forte investimento das organizações. Como consequência, cresce também o número de jovens interessados em seguir carreira como pro players, coaches ou influenciadores ligados ao R6.
Para Ivan Roichman, manager da FaZe Clan, a campeã do Invitational 2026, o fato de o Brasil ser um expoente no game atrai ainda mais esses olhares. Segundo ele, quando um jovem vê o país indo bem em um título, surge a percepção de que também pode se destacar ali. “Quando você entra em um jogo novo e já vê o Brasil com potencial, isso faz pensar que você também pode ser bom naquele game”.
O competitivo de Rainbow Six segue a todo vapor e será expandido, apesar dos cortes da Ubisoft
Luiza M. Martins/TechTudo
Ivan ressalta que o país se tornou uma potência ao longo do tempo, com investimento consistente das equipes. Ele contou como esse processo ocorreu dentro da FaZe, organização que vem de anos de destaque e é uma das finalistas deste mundial. Segundo o manager, a estruturação envolveu o investimento de uma organização estrangeira que adquiriu uma line já campeã em 2017. O processo, porém, precisou ser ajustado ao longo do tempo, especialmente para lidar com questões de relacionamento entre jogadores jovens e para encontrar as peças ideais da line.
De acordo com Ivan, levou um tempo até que a equipe atingisse um nível considerado realmente competitivo. Para isso, foi necessário apostar em jogadores pouco conhecidos à época, como Vitaking, hoje capitão da equipe, que veio diretamente do TIER 2, além do retorno de nomes mais experientes. “A partir desse ponto, a química foi instantânea e tivemos um grupo muito coeso. Foi quando começamos a ter uma dominância muito grande no Brasil”, contou.
Mesmo na França, a FaZe Clan contou com o apoio brasileiro
Luiza M. Martins/TechTudo
Na visão do manager, a entrada de organizações estrangeiras no cenário também trouxe mais estabilidade para os jogadores e ajudou a manter o nível competitivo elevado. Isso contribui para popularizar o game e estimular o surgimento de novos talentos.
“Quando você tem organizações investindo bem no Brasil, com bons salários e jogadores fazendo carreira, você chama a atenção para o cenário. Assim, cria-se a ideia de que um dia é possível chegar lá.”
O resultado, segundo Ivan, é um ambiente ainda mais competitivo nas ligas nacionais, com grandes talentos surgindo no Tier 2, que não apenas alimenta organizações maiores, como também treina em conjunto com elas. “Quando treinamos com o Tier 2, é bom para eles e para nós. Essa troca de informação faz a região crescer e ajuda a criar uma base sólida e ampla. O talento aqui é muito grande, então a renovação acontece o tempo todo.”
As novidades do Ano 11 do R6
No Rainbow Six Invitational, a Ubisoft também apresentou no Six Invitational o plano do Ano 11, que será focado na experiência competitiva 5v5. Entre as principais mudanças estão o Ranked 3.0, a nova playlist competitiva Legend Division (voltada a jogadores de alto nível em solo queue), a plataforma anti-cheat R6 ShieldGuard, a retirada do modo Dual Front após a Temporada 1 e um novo ritmo sazonal com mais ajustes de balanceamento e rotações de mapas. Também estão previstos três mapas modernizados por temporada e novidades estruturais, como o Social HUB, além de um retrabalho do modo Refém no fim do ano.
A Temporada 1 do Ano 11, Operation Silent Hunt, começa em 3 de março e traz como principal destaque o operador Solid Snake, crossover com a série METAL GEAR SOLID, com habilidades de coleta de informação e novo armamento. O conteúdo inicial inclui ainda um modo 1v1 temporário, três mapas atualizados (Oregon, Coastline e Villa) e ajustes de meta focados em Entry e Roaming. Ao longo do ano, o jogo receberá um novo mapa competitivo (Calypso Casino), o remaster da Dokkaebi, um novo sistema de progressão de operadores (Operator Mastery) e a chegada de Rainbow Six Mobile ao iPhone (iOS) e Android.
Solid Snake está chegando ao Rainbow Six Seige
Divulgação/Ubisoft
Com informações de Ubisoft
*A jornalista viajou à Paris a convite da Ubisoft
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