Brasil supera os EUA em ranking global de liberdade de imprensa pela 1ª vez, aponta Repórteres Sem Fronteiras
O Brasil apareceu à frente dos Estados Unidos no ranking global de liberdade de imprensa divulgado nesta quinta-feira pela Repórteres Sem Fronteiras (RSF), em um relatório que traça um quadro de deterioração histórica para o jornalismo no mundo.
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Segundo a classificação anual da organização, o Brasil ocupa a 52ª posição, enquanto os Estados Unidos caíram para o 64º lugar, ampliando o recuo registrado no ano passado e aprofundando o desgaste do ambiente para a imprensa americana.
A RSF afirma que a liberdade de imprensa global atingiu seu pior nível em 25 anos. De acordo com a entidade, 52,2% dos países analisados estão hoje em situação “difícil” ou “muito grave”, percentual muito acima dos 13,7% registrados em 2002.
A organização atribui parte dessa deterioração ao avanço de legislações mais restritivas, especialmente aquelas ligadas a segurança nacional, além do aumento de pressões políticas, econômicas e legais sobre jornalistas e veículos de comunicação.
Brasil sobe, EUA recuam
Na América Latina, o Brasil aparece entre os países que avançaram nos últimos anos. Segundo a RSF, o país subiu 58 posições desde 2022, movimento que o levou ao 52º lugar no ranking atual.
Já os Estados Unidos perderam sete posições neste ano e passaram a ocupar o 64º lugar. Segundo o relatório, pesaram contra o país os ataques recorrentes do presidente Donald Trump à imprensa — classificados pela organização como “uma prática sistemática” —, além da redução de financiamento a veículos internacionais e episódios envolvendo jornalistas que cobriam políticas migratórias.
— Os ataques contra jornalistas estão mudando. Jornalistas continuam sendo assassinados, continuam existindo jornalistas presos, mas as pressões também são econômicas, políticas e legais — afirmou à AFP Anne Bocandé, diretora editorial da RSF.
América Latina vive 'espiral de violência e repressão'
Apesar do avanço brasileiro, a RSF alerta para um cenário preocupante em parte da região. Segundo a organização, vários países da América Latina estão mergulhados em uma “espiral de violência e repressão”.
O Equador teve a maior queda regional, despencando 31 posições, para o 125º lugar. O Peru caiu para 144º após registrar o assassinato de quatro repórteres em 2025. Argentina e El Salvador também recuaram, em meio ao aumento de pressões governamentais sobre a imprensa, segundo o relatório.
No cenário global, apenas sete países do norte da Europa — liderados pela Noruega — aparecem na categoria máxima de liberdade de imprensa considerada “boa”. Segundo a RSF, hoje menos de 1% da população mundial vive em países com esse nível de proteção ao jornalismo.
