Brasil se preocupa com instabilidade, mas diz que espera trabalhar com vice

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Fonte da notícia: Valor Valor

O governo brasileiro teme que a renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña, ao cargo, ontem, possa gerar instabilidade em território paraguaio. Até o momento, o Brasil não se manifestou publicamente sobre o assunto e ainda debate possíveis impactos.

Mas a principal preocupação, por ora, é evitar um quadro de fragilidades social e política no Paraguai. O vice-presidente paraguaio, Pedro Alliana, é o sucessor previsto na Constituição, e o governo brasileiro acredita que ele adotará uma política de continuidade em relação ao trabalho de Peña.

Por isso, a ideia é que o Brasil mantenha um pragmatismo na relação com o novo presidente do país. A leitura é que Lula não precisará ser alinhado ideologicamente ao líder.

Mas manter o em temas mais práticos, como o combate ao crime organizado, fará com que as relações se mantenham. Interlocutores do governo do presdiente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam ainda que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fica sem um aliado na América Latina com a renúncia de Peña.

Com a renúncia, a leitura de alguns auxiliares do Palácio do Planalto é que a região não tem mais uma hegemonia clara da extrema direita. Peña anunciou a renúncia ontem em meio à crise política e financeira provocada pelo colapso do banco ueno, instituição financeira digital da qual o ex-presidente foi acionista até o ano passado.

A renúncia se deu após a perda de apoio de seu próprio partido, o Colorado, e a mobilização de parlamentares para abrir um processo de impeachment. Peña manteve até o ano passado uma participação acionária na holding do ueno.

Sob seu governo, o banco recebeu grandes volumes de recursos públicos. Até outubro, a instituição informava ter aproximadamente US$ 800 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do fundo estatal de previdência e saúde e das operadoras das grandes usinas hidrelétricas do Paraguai.

A proximidade entre o governo e a instituição financeira passou a ser alvo de questionamentos. Peña havia nomeado Carlos Carvallo, ex-presidente da Financiera El Comercio, antecessora do banco ueno, para comandar o BC, responsável pela supervisão de todo o setor bancário.

Carvallo, no entanto, renunciou na quarta-feira, a pedido do próprio presidente, em meio ao agravamento da crise. Os problemas do ueno já vinham sendo investigados antes do colapso total da instituição nesta semana, informou a agência Associated Press (AP).

Em junho, inspetores do Banco Central identificaram um padrão de empréstimos arriscados a empresas ligadas aos proprietários do banco, segundo o jornal paraguaio ABC Color. Entre os problemas, estavam empréstimos a empresas ligadas aos próprios proprietários do banco e despesas que a instituição contabilizou indevidamente como ativos em seus balanços.

Publicação Original Valor valor.globo.com
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