Brasil produziu menos arroz e feijão: veja como isso impacta no seu bolso

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Fonte da notícia: Globo Rural Globo Rural

O último levantamento da safra 2025/26, divulgado nesta terça-feira (15/9) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), confirmou uma tendência que já era esperada: ao mesmo tempo em que a produção de soja e milho cresceu a patamares recordes, o Brasil produziu menos arroz e feijão, ingredientes que fazem parte do dia a dia do brasileiro.

A produção brasileira de arroz somou 11 milhões de toneladas no ciclo 2025/26, uma queda de 13,2% em relação à safra passada. O desempenho foi impactado principalmente pela redução de 14% da área plantada, que totalizou 1,5 milhão de hectares.

No caso do feijão, a queda foi menor. A produção caiu 3,6% em relação à safra 2024/25, totalizando 2,9 milhões de toneladas. A queda também decorre de uma retração da área plantada, que encolheu 5,7%, somando 2,5 milhões de hectares.

Apesar dos números, a Conab afirma que a produção de arroz e feijão deve garantir o abastecimento do mercado nacional e até possibilitar algum volume de exportação.

Mas como essa redução da oferta impacta no bolso do consumidor? Leia também: Conab confirma safra 2025/26 como a maior da história, com recordes em quatro culturas Dados do IPCA apontam que não há, neste momento, uma tendência de valorização do arroz. No acumulado do ano, o cereal apresentou estabilidade, com leve alta de 0,4%. Em 12 meses, a queda chega a 8,8%.

"Estamos vendo o arroz num processo de tentar voltar para o ponto de equilíbrio. Ainda estamos tendo de gerir contração, mas são contrações que estão ficando menores. Isso é uma boa notícia, o mercado está se ajustando", afirma o professor Felippe Serigati, do FGV Agro.

Por outro lado, o feijão ficou mais caro em 2026. No acumulado do ano, o feijão carioca apresentou alta de 42,3%. No entanto, a última variação mensal registrou queda de 4,8%. No caso do feijão preto, a variação acumulada no ano é de 25,8%, com uma pequena queda de 0,6% no último mês.

"É uma alta significativa no ano, mas se tivéssemos uma situação em que o mercado estivesse desequilibrado, não estaríamos vendo essa contração na variação mensal", avalia Serigati.

Variação no preço do arroz Agosto: +1,34% Acumulado do ano: +0,39 Últimos 12 meses: -8,85% Variação no preço do feijão preto: Agosto: -0,63 Acumulado do ano: +25,85% Últimos 12 meses: +19,98% Variação no preço do feijão carioca: Agosto: -4,82 Acumulado do ano: +42,30% Últimos 12 meses: +44,17% Fonte: IPCA/IBGE O que explica a queda na produção A queda na produção de arroz e feijão pode ser explicada pelo achatamento dos preços pagos aos produtores destes grãos, que, desestimulados, reduziram a área plantada na última safra.

Segundo o Indicador Cepea/Irga, a saca de 50kg do arroz em casca valia mais de R$ 120 em meados de 2024. Quando o produtor iniciou o plantio da última safra, em setembro do ano passado, essa cotação havia caído pela metade. Esse movimento de queda está muito relacionado ao volume de produção alcançado pela safra 2024/25, com mais de 12 milhões de toneladas. "Isso gerou um excedente de oferta muito grande, que derrubou bastante os preços ao produtor", explica o gerente de fibras e alimentos básicos da Conab, Gabriel Corrêa. Nas últimas semanas, houve reação. Agora, quando a cultura começa a ser semeada nas lavouras, o preço da saca está em R$ 80.

O preço da saca de 60kg do feijão também tem apresentado variação. No caso do feijão preto tipo 1, a cotação chegou a R$ 350 em setembro de 2024 na metade sul do Paraná. Um ano depois, o valor estava em R$ 117.

Nova queda no ano que vem? A Conab também divulgou uma estimativa preliminar para a safra 2026/27, que será colhida no próximo ano, com a previsão de uma nova queda na produção de arroz e feijão.

O arroz deve ter um ligeiro aumento na área, de 0,9%, com perspectiva de produção de 10,7 milhões de toneladas, redução de 2,9% em relação ao ciclo 2025/26.

"Lá no início das nossas projeções essa queda era um pouco maior, mas o preço do arroz vem se recuperando nas últimas semanas", afirma Corrêa.

O feijão deve se manter com uma produção em torno de 2,9 milhões de toneladas no ciclo 2026/27, mesmo patamar da safra passada (queda prevista em 0,7%). O feijão de segunda safra é o único item da lista com redução de área prevista (-1,9%).

O presidente da Conab, Silvio Porto, ponderou que essa queda na produção de feijão pode não se confirmar. "Como a segunda safra é plantada em dezembro, vamos ver como as condições climáticas e preço, que está atrativo, poderão vir e inclusive modificar essa tendência."

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