Brasil pode ser alvo de ação militar dos EUA após classificação de terroristas para PCC e CV? Entenda
A designação por parte do governo Trump como terroristas para o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital passará a valer a partir do dia 5 de junho, revelou o secretário de Estado americano, Marco Rubio.
Com isso, os grupos criminosos serão atingidos, perante os EUA, na parte financeira e membros do grupo ou pessoas aliadas poderão sofrer sanções, assim como até prisão perpétua.
Porém, o caso ainda trouxe mais uma dúvida: a designação poderia se transformar em uma ação militar no Brasil?
Diretamente, não. O México, por exemplo, possui diversos cartéis dentro da lista de organizações terroristas, mas não foi alvo de uma operação americana. Assim como a Colômbia e alguns países do Oriente Médio.
Por si só, a entrada não tem nenhuma relação. Porém, há o caso específico da Venezuela, em que essa questão foi levanta pelo governo americano.
Antes da operação, o presidente Nicolás Maduro foi acusado por autoridades de ter relações próximas e ajudar grupos terroristas no transporte de drogas até território americano. Os mais notórios acusados foram o Tren de Aragua e o Cartel del Soles, ambas organizações mexicanas.
Esse foi um dos pretextos usados para a operação militar que prendeu Nicolás Maduro e colocou sua vice, Delcy Rodríguez, no comando do país.
Imagem mostra chegada de Nicolás Maduro aos EUA após ser capturado na Venezuela
Reprodução e Reprodução/Globonews
Por enquanto, a designação serviria mais como uma tentativa de sufocamento financeiro e direto contra a entrada no grupo em território americano, sem poder uma entrada dos EUA em outros locais em busca de membros do CV ou do PCC.
Apesar disso, especialistas alertam que a classificação abre margem para que uma ação militar tenha um motivo específico.
Governo avalia reação após EUA decidirem classificar PCC e CV como organizações terroristas
Presidentes do Brasil, Lula, e dos EUA, Donald Trump
Alan Santos/PR e Gustavo Moreno/STF
Integrantes do governo Lula vão se reunir nesta sexta-feira (29) para avaliar uma reação à decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais. A nova designação foi anunciada dois dias depois do encontro do pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, com o presidente Donald Trump.
Especialistas acreditam que a decisão traz riscos à soberania nacional e à cooperação internacional para a investigação dos grupos criminosos, além de abrir espaço para a imposição de sanções ao sistema financeiro brasileiro.
O presidente Lula montou um gabinete de crise e os ministros da Justiça e das Relações Exteriores vão discutir uma resposta oficial.
Em nota, o assessor especial da Presidência, Celso Amorim, disse que a ação da Casa Branca não pode ser um pretexto para uma intervenção americana sobre o Brasil.
A inclusão das duas maiores facções criminosas brasileiras na lista oficial do terrorismo internacional foi anunciada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, 24 horas após se reunir com Flávio Bolsonaro.
Nas redes sociais, o pré-candidato do PL comemorou a decisão como sendo uma vitória dele.
