Brasil participa de maior reuniĂŁo da ONU sobre direitos das mulheres

 

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A participação do Brasil na 70ÂȘ SessĂŁo da ComissĂŁo sobre a Situação da Mulher das NaçÔes Unidas (CSW70), maior reuniĂŁo anual da Organização das NaçÔes Unidas (ONU) sobre a igualdade de gĂȘnero e direitos das mulheres, demonstra esforço pĂșblico na discussĂŁo em torno do combate à violĂȘncia contra mulheres no paĂ­s.


A avaliação Ă© da coordenadora-geral da organização brasileira Criola, LĂșcia Xavier, que estĂĄ em Nova York para o evento. A conferĂȘncia, que ocorre atĂ© 19 de março, conta com a participação de altos representantes da ONU, Estados-membros, ONGs, ativistas, jovens e setor privado.


NotĂ­cias relacionadas:BNDES reduz taxa de juros em emprĂ©stimos para mulheres de cooperativas.CĂąmara aprova uso obrigatĂłrio de tornozeleira por agressores de mulher.Contra violĂȘncia e por reforma agrĂĄria, mulheres do MST ocupam terras.LĂșcia considera que, para alĂ©m da construção de um marco legal, Ă© importante articular governo e sociedade na construção de soluçÔes para o enfrentamento da violĂȘncia contra a mulher.


“Certamente esses marcos [legais] jĂĄ estĂŁo postos [no Brasil], desde a construção da Lei Maria da Penha e, depois, a Lei do FeminicĂ­dio. Mas, na prĂĄtica, ainda nĂŁo tomaram pĂ© na sociedade. Ainda nĂŁo tem uma sociedade refletindo, criando processos de proteção social, enfrentando o debate do patriarcado e do machismo”, disse a especialista, ressaltando os altos Ă­ndices de feminicĂ­dio e violĂȘncia sexual.


As discussĂ”es, no Ăąmbito do evento mundial, afirma LĂșcia, contribuem para o desenvolvimento de medidas e mecanismos de enfrentamento ao problema no paĂ­s.


“A gente [costuma dizer] que Ă© uma epidemia [de violĂȘncia], mas Ă© mais do que isso. Uma epidemia exige controles pĂșblicos e sociais, mas isso Ă© mais que uma epidemia”, alertou.


“É um crime que vem sendo praticado com muita impunidade e com pouco reforço dos ĂłrgĂŁos pĂșblicos, no sentido do controle social. É um prejuĂ­zo enorme para as mulheres, que jĂĄ vivem a situação de vulnerabilidade e tambĂ©m de insegurança nos seus relacionamentos, no seu trabalho, na sua vida como um todo”, disse LĂșcia.


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Estados Unidos


LĂșcia relatou Ă  AgĂȘncia Brasil que, em meio Ă s tensĂ”es nas negociaçÔes, propostas dos Estados Unidos que representariam retrocessos no documento final da conferĂȘncia foram barradas durante a plenĂĄria que aprovou o texto.


Alguns dos temas questionados pelos Estados Unidos na votação das conclusĂ”es acordadas referiam-se ao direito ao aborto, Ă  identidade de gĂȘnero e ao uso do termo “interseccionalidade”.


“Isso fez com que, em algum momento, a gente imaginasse que o documento perderia a qualidade e alguns avanços muito importantes. NĂŁo vai ser um documento de consenso, mas a primeira votação nĂŁo aceitou as indicaçÔes [trazidas pelos Estados Unidos]”, contou.