Brasil mantém boa relação com o Irã e não há motivos para interferir, explica ex-embaixador
Israel e os Estados Unidos realizaram um ataque contra o Irã na manhã deste sábado (28). O líder supremo iraniano, Ali Khamenei, e o presidente do país, Masoud Pezeshkian, teriam sido alvos da ofensiva. Segundo informações da Reuters, Khamenei não estava em Teerã no momento e já havia sido transferido para um local seguro.
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Em entrevista ao Revista CBN, o ex-embaixador do Brasil no Irã e vice-presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior, Eduardo Gradilone, afirmou que a ofensiva contra o Irã vai além da questão nuclear e pode ter como objetivo uma mudança de regime no país.
"O pretexto nuclear, como se viu, não se sustenta, porque, como se viu pelas declarações do chanceler de Omã que estava intermediando as negociações semi-concluídas, lamentando que houvesse ocorrido esses ataques, porque as negociações tinham chegado a concessões inéditas do Irã na área nuclear e, nem bem terminaram, houve esses ataques. Então, agora, o que está declaradamente dito, tanto pelo governo americano como por outros interlocutores, é que deve haver uma mudança de regime."
Segundo ele, o Oriente Médio é uma região marcada por complexidades históricas e geopolíticas, e a presença iraniana representa um desafio estratégico para Washington e Tel Aviv.
Ao comentar a posição brasileira, o ex-embaixador afirmou que o país mantém relações diplomáticas estáveis com o Irã há mais de um século, pautadas pelo respeito à soberania e ao direito internacional. Ele destacou ainda a importância da pauta comercial bilateral, especialmente para o agronegócio brasileiro, e negou que o Brasil adote postura de apoio ao regime iraniano, defendendo que a política externa brasileira se baseia na não intervenção e nos mecanismos multilaterais.
"Não creio que se possa dizer que nós temos um apoio tão declarado assim ao Irã, principalmente no que se refere a assuntos de natureza doméstica. Nós simplesmente pautamos a nossa conduta de acordo com o direito internacional. Então, se há, por exemplo, investigação da Comissão de Direitos Humanos, e é hora do Irã ser avaliado, nós contribuímos também com sugestões e fazemos isso dentro do quadro das Nações Unidas."
