Brasil mais velho: confira 4 gráficos que mostram retrato do envelhecimento - QTU Questões do Universo

Brasil mais velho: confira 4 gráficos que mostram retrato do envelhecimento

Fonte: Bandeira da fonte

O envelhecimento da população brasileira é uma realidade e uma preocupação cada vez mais presente no dia a dia das pessoas, embora a trajetória seja conhecida há alguns anos.
Para lidar com os desafios desse fenômeno para os gastos com aposentadorias, foi feita uma reforma da Previdência em 2019, mas o déficit continua crescendo.

A situação fiscal – a previdência é a principal despesa obrigatória do governo federal – e o envelhecimento da população brasileira ainda mais rápido do que esperava antes da pandemia renovam a urgência do debate.
Os candidatos à Presidência pouco falam abertamente sobre isso, por ser uma questão impopular.

Um grupo de especialistas no tema, no entanto, acaba de divulgar uma nova proposta, de reforma estrutural ampla.
A primeira parte do plano contempla ajustes de parâmetros – como idade mínima de 67 anos para aposentadoria de homens e de mulheres e da população urbana e rural, diferentemente do que ocorre hoje – e adaptação automática da idade mínima à expectativa de vida, além de aposentadorias especiais.
Uma segunda frente é uma mudança no modelo da Previdência, com nova modalidade dos benefícios, novo regime financeiro e também nova administração do sistema, com a inclusão do setor privado nos casos de benefícios de risco como auxílio-doença e salário-maternidade.

Mas qual é a dimensão hoje do envelhecimento da população brasileira? Quais os números que mostram a situação atual e o que se espera para os próximos anos e décadas?
As projeções de população mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram o cenário planejado até 2070.

Confira, a seguir, quatro gráficos que resumem o panorama do envelhecimento no Brasil, a partir desses dados:
Fatia dos 60+
O dado mais objetivo para entender o envelhecimento no Brasil é a divisão da população por faixa etária.
Em 2000, 8,7% das pessoas tinham 60 anos ou mais.
Este é o marco de idade estabelecido pelo Estatuto da Pessoa Idosa, de 2003, embora alguns defendam que a idade inicial deve ser maior, de 65 anos.

Em 2025, 16,6% da população estavam no grupo de 60 anos ou mais, pelas estimativas do IBGE.
Essa parcela atinge 30% do total em 2050, já a maior entre os grupos etários, e alcança 37,8% em 2070.
Em 70 anos, entre 2000 e 2070, os idosos devem quadruplicar sua parcela na população.

Idade mediana
Outra forma de enxergar a acelerada mudança demográfica é pela idade mediana da população, que corresponde ao ponto exato onde se dividem as duas metades da população.
Em 2023, esse marco era de 34,8 anos.
Até 2070, metade dos habitantes do país terá mais de 51,2 anos.
Alguns Estados são mais envelhecidos que outros.
Pelos dados de 2023, Rio Grande do Sul (37,8 anos) e Rio de Janeiro (37,3 anos) lideravam neste ranking.
Em 2070, o Distrito Federal é o que deve ter a maior idade mediana do país, com 53,3 anos.
Além do DF, serão 19 estados com idade mediana de 50 anos ou mais.

Proporção entre idosos e crianças
Um Brasil mais velho é aquele que tem cada vez mais idosos e cada vez menos crianças.
Uma das medidas de referência para avaliar a tendência demográfica de um país é o índice de envelhecimento.

O indicador corresponde ao número de pessoas de 60 anos ou mais para cada criança de 0 a 14 anos.
O patamar de referência é 100.
Quando o número passa de 100, há mais idosos que crianças.
Os resultados abaixo de 100 indicam uma população mais jovem.
Em 2070, essa relação será de 316,2.
Isso significa que o país terá três pessoas com mais de 60 anos para cada uma de até 14 anos.

Idosos mais idosos, os 80+
O Brasil mais envelhecido significa que temos mais idosos, mas também que os idosos estão mais velhos.
A parcela das pessoas de 80 anos ou mais no total da população brasileira subiu de 1,2%, em 2000, para 2,2%, em 2023.
Essa participação vai triplicar até 2050 (6,6%) e atingir 11,6% em 2070.