O Brasil deve se posicionar para atuar no mercado de mineração em águas internacionais, disse Kaiser Gonçalves de Souza, consultor sênior para governança oceânica na Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA).
A entidade administra atualmente 31 contratos de pesquisa mineral nessas áreas.
"O Brasil deve se posicionar para acessar recursos, especialmente no Atlântico Sul.
É preciso pedir autorização para a pesquisa mineral e, posteriormente, autorização para exploração desses produtos.
Já existem outros países se posicionando neste mercado", disse o executivo.
Ele citou que a região possui reservas de minerais como cobre, zinco, ouro, prata, cobalto, níquel, manganês e terras raras.
"O Brasil tem que começar a pesquisar agora e delimitar áreas de estudo, para ter prioridade de exploração dessas áreas no futuro", observou o executivo, que participa da Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (Exposibram 2026), realizada entre os dias 24 e 27 de agosto, em Belo Horizonte.
No primeiro dia do evento, representantes do setor de mineração discutiram sobre o impacto do cenário geopolítico no setor minerário.
Gisele Salvador, diretora financeira da Alcoa, disse que o cenário geopolítico está mais instável e, nesse ambiente de mudanças, governança e planejamento são fundamentais para que as empresas possam se desenvolver com menos sobressaltos.
Grazielle Parenti, vice-presidente executiva de sustentabilidade da Vale, disse que o setor precisa fazer o mesmo que foi feito no agronegócio nas últimas décadas.
"Precisamos ler o potencial do setor, criar mecanismos de políticas públicas, estimular a inovação, desenvolver recursos para destravar o potencial", afirmou Parenti.
A executiva acrescentou que a descarbonização da mineração é um caminho sem volta e o Brasil está melhor posicionado, graças à sua matriz energética renovável e possui reservas minerárias de alta qualidade.
Leandro Chiardelli, CEO da Mineração Usiminas, citou como um bom exemplo de descarbonização o investimento da empresa na produção do minério de ferro com alto teor de ferro e defendeu políticas públicas para estimular a produção de ferro de alto teor, além de medidas para impedir a importação desenfreada de aço a preços desleais.
Mariette Byisma, presidente de joint ventures na BHP, disse que o cenário atual exige mais disciplina das empresas e o desenvolvimento de relações mais integradas entre empresas e governos.
Ela também afirmou que o setor possui grandes oportunidades de crescimento, especialmente com a alta demanda de minerais para data centers, mais demandados por conta do desenvolvimento da inteligência artificial (IA), e maior demanda por fertilizantes para produção de alimentos.
Anderson Barreto Arruda, Secretário Nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia, observou que o Brasil precisa desenvolver políticas públicas de longo prazo e o governo tem como guia mestre a defesa da soberania.
"O Brasil pode ser mais ambicioso, pode adensar cadeias que antes não faziam sentido porque a demanda era menor.
O governo está pronto para fazer esse debate com o setor privado", disse Arruda.
Um dos segmentos que mais tem debatido, segundo ele, é o desenvolvimento da cadeia de produção de cobre.
Eduardo de Come, vice-presidente da Ero Copper, salientou que a legislação no Brasil, hoje, é defasada e isso atrapalha o desenvolvimento pleno da mineração, como no caso da mineração subterrânea de cobre.
Ele acrescentou que só no Brasil há limitação de 6 horas por dia para o trabalho subterrâneo.
