Brasil defende soberania do Irã e acompanha protestos com preocupação
O governo brasileiro afirmou, em nota divulgada nesta terça-feira, que cabe exclusivamente aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país, ao comentar a onda de manifestações em curso no Irã. No comunicado, o Itamaraty instou todos os atores a se engajarem em um "diálogo pacífico, substantivo e construtivo", ao mesmo tempo em que disse acompanhar com preocupação a evolução dos protestos registrados desde 28 de dezembro em diversas localidades do país.
"Ao sublinhar que cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país, o Brasil insta todos os atores a se engajarem em diálogo pacífico, substantivo e construtivo", diz um trecho do texto, em uma referência velada às pressões externas sobre o país, com destaque para os Estados Unidos.
Na mesma nota, o Ministério das Relações Exteriores lamentou as mortes ocorridas durante as manifestações e transmitiu condolências às famílias das vítimas. Segundo o Itamaraty, a Embaixada do Brasil em Teerã mantém atenção permanente às necessidades da comunidade brasileira no país e, até o momento, não há registros de nacionais mortos ou feridos. A estimativa oficial é de que 85 brasileiros residam atualmente no Irã.
Desde o fim de dezembro de 2025, o Irã vive uma das maiores ondas de manifestações de sua história recente, impulsionadas pela deterioração da economia, com inflação elevada, desvalorização abrupta da moeda e aumento do custo de vida. Os atos se espalharam rapidamente por diversas cidades e províncias, incorporando estudantes e outros segmentos da sociedade, com reivindicações que extrapolam a pauta econômica e incluem críticas ao regime político.
A resposta das autoridades iranianas tem sido marcada por forte repressão, com bloqueio generalizado da internet e das comunicações, prisões em massa e uso de força letal pelas forças de segurança. Esse contexto dificulta a verificação independente do número real de mortos e detidos. Estimativas mais conservadoras apontam cerca de 650 mortes, enquanto uma autoridade iraniana ouvida sob anonimato pela Reuters, na terça-feira, mencionou a possibilidade de até 2 mil vítimas fatais.
O contingente de brasileiros no Irã corresponde a apenas 0,0017% do total de 4,9 milhões de nacionais que residem no exterior. As maiores comunidades brasileiras fora do país estão concentradas nos Estados Unidos, em Portugal, no Paraguai, no Reino Unido e no Japão.
