Brasil corteja investidores no exterior antes de possível emissão em euro

 

Fonte:


O Brasil está sondando investidores no exterior enquanto considera um retorno aos mercados globais de dívida com a emissão de títulos internacionais, o que pode pavimentar sua primeira captação em euros em mais de uma década.

BBVA, BNP Paribas, BofA Securities e UBS Investment Bank foram contratados para organizar uma série de reuniões com investidores de renda fixa a partir de hoje, segundo uma pessoa com conhecimento do assunto ouvida pela agência Bloomberg.

Endividamento: Governo pode liberar FGTS para pagamento de dívidas, confirma ministro da Fazenda

Escala 6x1: Motta diz que governo desistiu de propor projeto próprio para acelerar tramitação

O Brasil será representado pelo recém-nomeado secretário do Tesouro, Daniel Leal, e por Helano Dias, Coordenador-Geral de Operações da Dívida Pública, afirmou a pessoa, que pediu para não ser identificada ao tratar de informações privadas. Rogério Ceron deixou o Tesouro para assumir a secretaria executiva do Ministério da Fazenda.

Uma emissão de títulos em euros pode ocorrer na sequência, a depender das condições de mercado, acrescentou a pessoa. Se confirmada, será a primeira emissão brasileira nessa moeda desde 2014, segundo dados do Tesouro Nacional. Isso também sucederia o volume de US$ 11 bilhões emitido em 2025, o maior montante anual de títulos externos do país desde pelo menos 2000.

Plano internacional, mesmo sem grau de investimento

O Brasil não tem grau de investimento. O país é classificado como Ba1 pela Moody’s, um nível abaixo do nível considerado de baixo risco, e como BB pela Fitch Ratings e pela S&P Global Ratings, dois níveis abaixo do grau de investimento.

O governo brasileiro tem sinalizado planos de construir uma curva de referência em euros para a dívida corporativa local. De forma mais ampla, emissores de mercados emergentes têm recorrido ao mercado em euros diante do aumento da demanda por diversificação em relação ao dólar.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou no fim do mês passado que o governo emitirá títulos soberanos em euros e em yuan neste ano. Em fevereiro, Ceron adiantou ao GLOBO a estratégia de emissão de títulos do Tesouro neste ano.

A potencial operação viria antes das eleições presidenciais de outubro, em um momento em que investidores monitoram quem pode surgir como principal oponente ao atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No fim do ano passado, o ex-presidente Jair Bolsonaro endossou a escolha de seu filho Flávio como candidato da direita, reduzindo as expectativas de investidores de que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, obteria apoio mais amplo.

Conversas em Londres

Hoje, o Tesouro Nacional informou que iniciou uma série de reuniões com executivos internacionais em Londres para apresentar o Brasil como um destino para investidores da região. As reuniões começaram hoje e se encerrarão amanhã.

Segundo o Tesouro, a aproximação com os executivos acontecerá em um formato de “non-deal roadshow”, quando é feito uma série de reuniões, sem a intenção imediata de vender ações ou captar recursos.