Brasil condena ação dos EUA na Venezuela em reunião da OEA: “Afronta gravíssima à soberania”, diz embaixador
O representante permanente do Brasil junto à Organização dos Estados Americanos (OEA), embaixador Benoni Belli, classificou como inaceitáveis os bombardeios dos Estados Unidos em território venezuelano e a detenção do presidente Nicolás Maduro. Em reunião do Conselho Permanente do organismo, nesta terça-feira, ele reforçou a posição brasileira, que considera que o ataque à Venezuela “ultrapassa uma linha inaceitável”.
Belli destacou que o ato constitui uma "afronta gravíssima à soberania da Venezuela". Segundo ele, trata-se de um precedente extremamente perigoso, que ameaça a ordem internacional e enfraquece o multilateralismo ao substituir o direito pela força.
— Não podemos aceitar o argumento de que os fins justificam os meios -- disse, ao advertir que esse raciocínio abre espaço para que os mais fortes imponham sua vontade aos mais fracos, em detrimento da autodeterminação dos povos.
Em sua intervenção, Belli afirmou que a Carta das Nações Unidas e as obrigações hemisféricas foram claramente violadas e lembrou resolução recente da Comissão Jurídica Interamericana que reafirma a proibição do uso da força nas relações internacionais, salvo em casos estritamente previstos pela Carta da ONU.
Para o diplomata, a ação contra a Venezuela — os bombardeios foram seguidos da captura do então presidente Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores — remete aos piores momentos de interferência externa na América Latina. Disse que o contraria o compromisso regional com a paz.
— Se perdermos o edifício multilateral, perderemos não só a independência, mas também a dignidade nacional — afirmou, ao sustentar que apenas um processo político inclusivo, conduzido pelos próprios venezuelanos e livre de ingerências externas, pode levar a uma solução que respeite a vontade popular e a dignidade humana no país.
Libertação se presos políticos
JÁ o representante permanente dos EUA na OEA, Leandro Rizzuto, abriu sua intervenção exigindo a libertação imediata de cerca de mil presos políticos na Venezuela. Ele afirmou que esse é um passo indispensável para qualquer avanço democrático no país.
Segundo o embaixador, Washington está “exigindo a liberação imediata dos presos políticos” e apoia o pedido da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para realizar uma visita aos centros de detenção, além de defender que a OEA ofereça apoio técnico ao povo venezuelano no campo eleitoral.
Em sua fala, Rizzuto negou que tenha havido uma invasão americana e sustentou que a operação teve caráter limitado e direcionado.
— Os Estados Unidos não invadiram a Venezuela. Essa foi uma ação bem direcionada para retirar um campo conspirador a fim de que pudesse enfrentar a justiça nos Estados Unidos.
Ele disse que Nicolás Maduro — que será julgado nos EUA por tráfico de drogas e outros crimes — teria recebido diversas oportunidades que recusou. Para o diplomata, a ação não configurou interferência na democracia venezuelana, mas sim a remoção de um obstáculo a ela, ao argumentar que Maduro “não representa a ordem democrática” e que sua atuação estaria associada a crimes como corrupção, tráfico de narcóticos e outras atividades ilícitas com impacto em toda a região.
Divisão regional
Como esperado, a reunião da OE|A
