Brasil chega com quatro nomes e aposta no paralímpico para voltar ao topo do Laureus
*O jornalista viaja a convite do Laureus
O Brasil chega à edição deste ano do Prêmio Laureus World Sports Awards com quatro representantes em três categorias diferentes, e com a chance concreta de voltar ao topo depois do feito histórico de Rebeca Andrade, que em 2025 se tornou a primeira mulher brasileira a vencer o “Oscar do esporte”, ao levar o troféu de Retorno do Ano.
Na categoria Revelação do Ano, João Fonseca é o representante nacional, e deve comparecer ao prêmio, já que disputa ainda nesta semana os Masters 1000 de Madri, cidade-sede da cerimônia. Em boa fase na atual gira do saibro, o tenista teve em 2025 a consolidação de uma temporada que o colocou definitivamente no radar mundial, com títulos importantes e as primeiras vitórias relevantes entre profissionais, confirmando o status de principal promessa do tênis brasileiro em décadas.
Nos Esportes de Ação, o Brasil aparece com dois nomes. No surfe, Yago Dora chega impulsionado por uma temporada campeã na elite da WSL, com vitórias em etapas importantes, consolidando-se entre os principais nomes da nova geração do circuito mundial. Já Rayssa Leal, indicada pela quarta vez, segue perseguindo um troféu inédito. Em 2025, a skatista manteve o padrão de excelência que a acompanha desde a adolescência, com pódios em etapas da Street League e protagonismo contínuo nas principais competições internacionais — agora já não mais como promessa, mas como referência.
Mas é no esporte paralímpico que está a maior esperança brasileira. Gabriel Araújo, o Gabrielzinho, chega como um dos favoritos ao prêmio de Melhor Atleta com Deficiência após um ciclo dominante. Depois de brilhar em Tóquio, ele consolidou em 2025 uma sequência de performances de alto nível, com três medalhas de ouro no Mundial em Singapura, e tempos de elite mundial, reforçando uma trajetória que aponta para mais um protagonismo na Paralimpíada de Los Angeles, em 2028.
A dimensão do momento é bem resumida por Daniel Dias, maior nome da história da natação paralímpica do país, e maior vencedor brasileiro do Laureus, com quatro prêmios na categora, o último há exatos 10 anos.
- Eu gosto de números redondos, dez anos é um bom número, e do fundo do coração espero que isso possa acontecer (Gabrielzinho vencer). Fazia um tempo que não tínhamos atletas paralímpicos brasileiros concorrendo. E o ele vem consolidando uma carreira: Tóquio já foi incrível, Paris ele faz muito bem tudo que faz. É um garoto, um jovem e já está concorrendo. A gana dele, a vontade de evoluir… o que esse menino treina é algo incrível, surreal. Ele merece muito estar aqui e tem grandes chances - opina.
Se entre os homens a juventude avança com força, a categoria de Melhor Atleta Mulher do Ano reúne um grupo que mistura auge precoce e domínio sustentado. A espanhola Aitana Bonmatí chega embalada por mais uma temporada de protagonismo no futebol europeu, enquanto a queniana Faith Kipyegon mantém uma hegemonia histórica nas provas de meio-fundo, com marcas que redefinem limites da modalidade.
Nos Estados Unidos, três nomes representam diferentes formas de excelência. Sydney McLaughlin-Levrone segue transformando os 400m com barreiras com performances quase inatingíveis, Katie Ledecky prolonga uma das carreiras mais dominantes da natação, e Melissa Jefferson-Wooden se firma como força emergente na velocidade. Completa a lista a tenista Aryna Sabalenka, que consolidou sua posição no topo do circuito com títulos de Grand Slam e regularidade em alto nível.
O conjunto reforça um cenário curioso: se a nova geração acelera o acesso ao topo, entre as mulheres o Laureus ainda premia, majoritariamente, atletas que conseguem não apenas chegar cedo, mas permanecer por mais tempo em um patamar de domínio técnico quase absoluto.
Todos os indicados às categorias do Laureus 2026
Melhor Atleta Homem do Ano:
Carlos Alcaraz (Espanha) – tênis
Ousmane Dembélé (França) – futebol
Armand Duplantis (Suécia) – salto com vara
Marc Márquez (Espanha) – motociclismo
Tadej Podacar (Eslovênia) – ciclismo
Jannik Sinner (Itália) – tênis
Melhor Atleta Mulher do Ano:
Aitana Bonmatí (Espanha) – futebol
Melissa Jefferson-Wooden (Estados Unidos) – atletismo
Faith Kipyegon (Quênia) – atletismo
Katie Ledecky (Estados Unidos) – natação
Sydney McLaughlin-Levrone (Estados Unidos) – atletismo
Aryna Sabalenka (Bielorrússia) – tênis
Melhor Equipe do Ano:
Seleção feminina de futebol da Inglaterra
Equipe europeia da Ryder Cup – golfe (torneio masculino)
Seleção feminina de críquete da Índia
McLaren – Fórmula 1
Oklahoma City Thunder – NBA
Paris Saint-Germain – futebol (equipe masculina)
Revelação do Ano:
João Fonseca (Brasil) – tênis
Désiré Doué (França) – futebol
Shai Gilgeous-Alexander (Canadá) – basquete
Luke Littler (Reino Unido) – dardos
Lando Norris (Reino Unido) – Fórmula 1
Yu Zidi (China) – natação
Retorno do Ano:
Amanda Anisimova (Estados Unidos) – tênis
Egan Bernal (Colômbia) – ciclismo
Rory McIlroy (Reino Unido) – golfe
Yulimar Rojas (Venezuela) – salto triplo
Leah Williamson (Reino Unido) – futebol
Simon Yates (Reino Unido) – ciclismo
Melhor Atleta nos Esportes de Ação:
Yago Dora (Brasil) – surfe
Rayssa Leal (Brasil) – skate
Kilian Jornet (Espanha) – ultramaratona
Chloe Kim (Estados Unidos) – snowboard
Molly Picklum (Austrália) – surfe
Tom Pidcock (Reino Unido) – ciclismo
Melhor Atleta com Deficiência:
Gabriel Araújo (Brasil) – natação
Simone Barlaam (Itália) – natação
Catherine Debrunner (Suíça) – atletismo
Kelsey DiClaudio (Estados Unidos) – hóquei no gelo
David Kratochvíl (República Tcheca) – natação
Kiara Rodríguez (Equador) – salto em distância
Prêmio Esporte para o Bem:
A.S.D. Gruppo Sportivo Valanga (Itália) – oferece oportunidades educacionais por meio da combinação de atividades esportivas e psicologia;
Fútbol Más (projeto global) – promove inclusão, trabalho em equipe e respeito por meio de torneios de futebol;
Kings County Tennis League (Estados Unidos) – reduz barreiras econômicas que impedem jovens locais de ter acesso ao tênis;
MindLeaps (projeto global) – desenvolve competências cognitivas por meio de um programa inovador, que combina aulas de dança e ensino acadêmico;
Rugby for Good (Hong Kong) – promove equidade social e de gênero para crianças com TDAH;
Transformación Social TRASO (México) – oferece aulas de boxe e artes marciais duas vezes por semana, com sessões de terapia em grupo conduzidas por profissionais.
