Brasil celebra hoje, pela primeira vez, o Dia Nacional de Acolhimento ao Paciente Oncológico e dá início ao 'Março Laranja'
O Brasil deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, segundo as novas estimativas divulgadas pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca). O cálculo é significativamente maior do que a projeção do triênio anterior (2023–2025), de 704 mil casos/ano.
Esse crescimento ajuda a dimensionar um desafio que vai além de leitos, exames e terapias: quanto mais pessoas afetadas pela doença, maior a urgência de aprimorar a experiência do paciente em serviços de saúde, com acolhimento, escuta e suporte emocional para enfrentar uma jornada, muitas vezes, longa e extenuante.
É nesse contexto que o país celebra, pela primeira vez, nesta terça-feira, 3 de março de 2026, o Dia Nacional do Acolhimento do Paciente Oncológico. A data foi instituída pela Lei nº 15.241/2025, sancionada em 28 de outubro de 2025, e prevê ações de conscientização e orientação ao longo da semana da celebração. A norma também estabelece o mês como “Março Laranja”, com o objetivo de ampliar o alcance da mobilização.
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No Sistema Único de Saúde (SUS), o acolhimento integra o guarda-chuva da Política Nacional de Humanização (PNH), lançada em 2003, que busca traduzir princípios do SUS no cotidiano dos serviços, estimulando comunicação entre gestores, trabalhadores e usuários, promovendo mudanças nos modos de cuidar e gerir.
INCAvoluntário e a pesquisa
Para aferir o impacto das ações de humanização realizadas nas quatro unidades do Inca no Rio de Janeiro, o INCAvoluntário - área de ações sociais do instituto - iniciou uma pesquisa, em fevereiro deste ano.
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O estudo é conduzido por consultoria externa e, até agora, com uma pequena amostra de pacientes (37) já identificou que 91,67% dos entrevistados associam continuidade no tratamento ao apoio do INCAvoluntário (acolhimento emocional + benefícios entregues). O total dos ouvidos pelo estudo apontou que o apoio também é percebido por acompanhantes e núcleo familiar, sendo o acolhimento descrito por todos como “muito bom”, com relatos de amizade, esperança, carinho, ambiente “de casa”, acesso à informação e equipe disponível e cuidadosa.
- A pesquisa nos ajuda a medir aquilo que pacientes e familiares nos contam todos os dias. Acolhimento não é um ‘dom’, é uma prática que pode e deve ser organizada, sustentada e aprimorada dentro do cuidado em saúde. E, no nosso caso, inclui presença humana e também suporte concreto para que ninguém interrompa o tratamento por falta de condições básicas - explica Fernanda Vieira, gerente-geral do INCAvoluntário.
Balanço 2025
Só no ano passado, 279 voluntários ativos contribuíram com mais de 32 mil horas de trabalho para o INCAvoluntário
Divulgação
Em 2025, 279 voluntários ativos contribuíram com mais de 32 mil horas de trabalho e mais de 8 mil pacientes foram beneficiados ao longo do ano. Entre as ações realizadas, o INCAvoluntário entregou mais de 1,4 mil brinquedos, realizou mais de 500 atividades (incluindo palhaçaria e musicoterapia) e distribuiu mais de 6 mil brindes em datas como Natal e Dia das Mães.
Na frente de apoio social, foram quase 2 mil bolsas de alimentos entregues, quase R$ 1,4 milhão em recargas no cartão-alimentação, mais de 32 mil unidades de leite em pó distribuídas e 320 pacientes beneficiados com auxílio-transporte, somando quase R$ 50 mil, entre vários outros benefícios.
- No dia 3 de março, a gente vai celebrar aquilo que está no centro do nosso trabalho todos os dias: o cuidado que vai além do tratamento. Humanização, acolhimento e apoio social fazem diferença real na jornada. Fortalecem vínculos, ampliam a sensação de segurança, oferecem escuta qualificada e impactam diretamente o bem-estar de pacientes e acompanhantes - afirma Fernanda Vieira.
