Brasil bate recorde de transplantes de órgãos em 2025, mas cerca de 45% das famílias ainda não autorizam doação, revela novo levantamento
O Brasil bateu o recorde de transplantes de órgãos e tecidos em 2025. Segundo o Ministério da Saúde, foram realizados 31 mil procedimentos no ano passado, número que representa uma alta de 21% em relação a 2022 e supera o registrado no período pré-pandemia. Ainda assim, cerca de 45% das famílias não autorizam a doação, um entrave para reduzir as longas filas.
O transplante de córnea foi o mais realizado, com 17.790 procedimentos, seguido do de rins, com 6.697; medula óssea, com 3.993; fígado, com 2.573; e coração, com 427.
De acordo com a pasta da Saúde, o recorde se deve a avanços de logística e organização do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) do Brasil, que faz parte do Sistema Único de Saúde (SUS) e organiza as filas e procedimentos do tipo no país. Cerca de 86% de todos os transplantes são financiados pelo SUS.
Entre as medidas, o ministério destaca o aumento de recursos para o SNT. No ano passado, os recursos federais alcançaram a marca de R$ 1,5 bilhão, uma alta de 36% em relação à cifra de 2022. Além disso, pontua a ampliação da distribuição interestadual de órgãos e tecidos, estratégia que viabilizou 867 transplantes renais, 375 hepáticos, 100 cardíacos, 25 pulmonares e 4 de pâncreas no ano passado.
Também foi feito um esforço conjunto entre a pasta, companhias aéreas e a Força Aérea Brasileira (FAB), que levou a 4.808 voos para garantir o transporte de órgãos e de equipes de captação e transplante em 2025, 22% a mais que o registrado em 2022. Houve ainda um aumento de 63 profissionais nas equipes de captação dos órgãos no mesmo período, chegando a 1,6 mil atuando nas diferentes regiões do país.
Ainda assim, o Ministério da Saúde destaca que um entrave para reduzir as longas filas por um transplante no Brasil é a recusa de cerca de 45% das famílias à doação de órgãos. No país, a doação é feita apenas após autorização familiar, ainda que o indivíduo tenha manifestado em vida o desejo de ser doador.
“Essa é uma decisão que acontece em um momento muito difícil, de dor e impacto emocional. Por isso, falar sobre o tema com a família faz diferença. Quando o desejo de ser doador é conhecido, a decisão se torna mais segura e pode ajudar a salvar outras vidas”, diz o ministério em nota.
Hoje, segundo dados do SNT atualizados nesta quinta-feira, há 48.827 pessoas aguardando um novo órgão no país, e 36.169 à espera de uma nova córnea. Em relação aos órgãos, o principal é o rim, que representa 45.236 dos brasileiros na fila. Na sequência, estão fígado (2.424) e coração (481).
