Brasil aprova R$ 147,6 milhões para o INPE desenvolver inteligência artificial que mapeará queimadas a 30 metros e levará alertas de desmatamento aos seis biomas brasileiros

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O Brasil aprovou R$ 147,6 milhões do Fundo Amazônia para desenvolver ferramentas capazes de identificar queimadas, desmatamento e degradação da vegetação por satélite. O dinheiro financiará o SIM-Biomas, projeto que utilizará inteligência artificial sob coordenação técnica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Entre as entregas está uma mudança expressiva no mapa das queimadas: nos biomas em que o monitoramento nacional ainda trabalha com resolução de 1 quilômetro, a nova metodologia deverá alcançar 30 metros. O Cerrado já é exceção ao padrão atual.

A tecnologia planejada deverá atender aos seis biomas do Brasil. O investimento foi anunciado em 16 de outubro de 2026, na apresentação de dados de desmatamento.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), gestor do Fundo Amazônia, aprovou o projeto em coordenação com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. O apoio é não reembolsável, e a execução está prevista para durar 60 meses.

A Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (Funcate) será a executora administrativa, com desenvolvimento técnico do INPE. Esse prazo abrange a construção e o aperfeiçoamento dos sistemas anunciados.

As chamadas cicatrizes de queimadas são marcas deixadas pelo fogo na vegetação e identificadas em imagens de satélite. De acordo com o INPE, o mapeamento nacional dessas áreas ainda utiliza resolução de 1 quilômetro, com exceção do Cerrado.

A meta de 30 metros permitirá distinguir áreas atingidas pelo fogo com detalhes espaciais muito menores. O programa também prevê produzir mapas regulares e séries históricas com a metodologia, oferecendo informações para planejar ações de prevenção e de combate aos incêndios florestais.

O novo projeto pretende unir duas ferramentas usadas pelas autoridades ambientais. O Prodes calcula a perda de vegetação nativa e produz as taxas de desmatamento; o Deter identifica alterações e fornece alertas em tempo quase real para orientar equipes de fiscalização.

Com inteligência artificial aplicada às imagens, o INPE quer combinar o detalhamento do Prodes com a rapidez do Deter. Também estão previstos alertas automatizados e dados do Prodes produzidos com maior frequência, inclusive ao longo do ano, para reduzir a demora na identificação de mudanças na vegetação.

Atualmente, o monitoramento diário de supressão e degradação realizado pelo INPE abrange Amazônia, Cerrado e Pantanal. O plano é expandir o Deter para Caatinga, Mata Atlântica e Pampa, cobrindo todos os seis biomas brasileiros.

Com a ampliação, áreas fora da Amazônia passarão a contar com informações mais frequentes sobre a perda de vegetação. Os alertas poderão ajudar órgãos federais, estaduais e municipais a definir os locais que precisam de vistoria ou de medidas de proteção.

Uma das entregas mais ambiciosas será o Subsistema de Inteligência Territorial. A ferramenta reunirá dados de desmatamento, degradação e recuperação da vegetação com informações sobre propriedades rurais, economia e clima, usando modelos de aprendizado de máquina para calcular indicadores de risco de curto prazo.

As análises poderão ser organizadas por bacias hidrográficas e terras indígenas. O sistema também deverá simular trajetórias futuras de desmatamento e recuperação da vegetação sob diferentes condições econômicas, climáticas e de políticas públicas, ajudando a distribuir esforços de prevenção.

O SIM-Biomas inclui outra frente de pesquisa: sobrevoos para coletar amostras da atmosfera amazônica e medir dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e monóxido de carbono. Essas medições ajudarão os pesquisadores a comparar a composição do ar com as estimativas feitas a partir de imagens de satélite.

O trabalho prevê atualizar mapas de biomassa e carbono na Amazônia e no Cerrado e aperfeiçoar os cálculos de emissões ligadas a desmatamento, degradação e regeneração. Os resultados poderão alimentar os inventários de gases de efeito estufa e os relatórios climáticos enviados pelo Brasil.

Os resultados dos diferentes sistemas serão reunidos na TerraBrasilis++, nova plataforma pública planejada pelo INPE. O ambiente deverá apresentar mapas, gráficos, indicadores de risco, alertas e projeções para consulta por instituições e cidadãos.

O projeto prevê uma sala de situação com acompanhamento de alertas e uma sala de cenários para comparar projeções de longo prazo. A infraestrutura computacional do instituto também será ampliada para processar e armazenar volumes maiores de imagens, mosaicos e dados geográficos.

O BNDES informou que o Fundo Amazônia já contratou R$ 521 milhões em ações de prevenção e combate a incêndios em 14 estados e três biomas. Os recursos incluem reforço a bombeiros, brigadas, equipamentos e estruturas operacionais.

O investimento de R$ 147,6 milhões terá a missão de aprimorar a informação usada por essas equipes e pelos órgãos de fiscalização. Ao longo dos próximos cinco anos, os sistemas planejados deverão mostrar com mais detalhes onde o fogo passou, identificar mudanças na vegetação com maior rapidez e apontar regiões com risco ambiental elevado.

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