Bradsaúde tem lucro de R$ 1,3 bi no trimestre e mira ampliação da operação hospitalar

 

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A Bradsaúde, nova empresa que reúne os negócios em saúde do grupo Bradesco, anunciou ter encerrado o primeiro trimestre com lucro líquido de R$ 1,3 bilhão e 13,4 milhões de beneficiários. A companhia estreia na B3 nesta terça-feira com novo código.

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A consolidação dos ativos de saúde do Bradesco sob um mesmo guarda-chuva foi anunciada em fevereiro, incorporando negócios como a seguradora Bradesco Saúde, as operadoras de planos Mediservice e Odontoprev (empresa que era listada em Bolsa, e que serviu como veículo para a operação) e o braço de hospitais Atlântica. 

De acordo com Carlos Marinelli, CEO da companhia, um dos focos agora é a ampliação da operação hospitalar, que representa ainda apenas 1% dos resultados apurados até março. A Bradesco Saúde liderou com 83% de participação, seguida pela Odontoprev, com 11%.

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Arte O GLOBO

O portfólio da Atlântica inclui 20 unidades, com cerca de 4 mil leitos, além de 39 clínicas da rede Novamed e da participação acionária de 33,3% da rede de clínicas oncológicas Croma. 

— Claramente alguns negócios vão ter uma velocidade de desenvolvimento maior que os negócios tradicionais, que já estão maduros. Um desses é a Atlântica Hospitais e Participações, que parece ali muito tímida, com 1% desse total, mas a ideia é que ela contribua de forma mais significativa pelos próximos trimestres — afirmou Marinelli em coletiva de imprensa nesta terça-feira. 

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Outra frente de atenção deve ser uma maior integração entre os produtos da companhia, que, segundo detalhou o executivo, antes funcionavam de forma colaborativa, mas que agora passa a ser coordenada:

— Uma empresa que deseja comprar uma solução para a proteção de saúde completa hoje pode fazer isso de uma maneira integrada, conectando Odontoprev e Bradesco Saúde dentro, por exemplo, de um mesmo contrato. Antes, essas forças de venda trabalhando, eventualmente, com níveis de colaboração, mas nem tanto com nível de coordenação.

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Para analistas do Itaú BBA, os números da Bradsaúde no trimestre foram "sólidos" e apontam para uma "estreia saudável", dado o crescimento na base de beneficiários e uma redução na sinistralidade. Essa métrica mostra a parcela das receitas da operadora que foi gasta com o uso em si dos planos, ou seja, os custos dos usuários.

"Observamos também que o ticket médio apresentou desaceleração, com queda de 1,6% na comparação trimestral, possivelmente indicando reajustes de preços mais modestos", afirmou a equipe liderada por Vinicius Figueiredo.

Marinelli, porém, foi cauteloso ao comentar o cenário de reajustes da companhia:

— O primeiro trimestre é sazonalmente mais fraco em termos de sinistro. No segundo semestre de 2025, tivemos no mercado uma aceleração de frequência e custos médios por visita, o que leva a gente a ter muita cautela com a sinistralidade em 2026.

Noutra ponta, a Odontoprev registrou lucro líquido de R$ 151 milhões entre janeiro e março, uma redução de 9,6% na comparação com o mesmo período de 2025. Segundo José Pacheco, diretor de relações com investidores da companhia, os resultados têm a ver com a operação de consolidação da Bradsaúde:

— Tivemos a contratação de assessores financeiros e assessores jurídicos que impactaram o patamar de despesas. E um segundo fator foi um menor nível de receita, porque tivemos em dezembro um pagamento expressivo de dividendos e juros sobre capital próprio da ordem de R$ 410 milhões.