Um grupo de pesquisadores em botânica localizaram no Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, espécies de plantas raras e consideradas extintas da natureza, por não terem registros há cerca de 30 anos.
A Paepalanthus magalhaesii e a Coracoralina amoena, conhecidas popularmente como “sempre-vivas” ou “chuveirinho” são típicas das paisagens mineiras.
As duas espécies, endêmicas dos campos rupestres do estado, são conhecidas pelas flores que mantêm a aparência delicada mesmo depois de secas.
A Paepalanthus magalhaesii é uma espécie que só é encontrada nos campos rupestres do Quadrilátero Ferrífero.
Ela cresce rente ao chão e, de um pequeno "tufo" de folhas verdes, surgem hastes finas que sustentam flores arredondadas, de cor branca ou creme, que parecem pequenos pompons.
Espécies raras redescobertas em Minas Gerais parecem pequenos pompons.
Divulgação/Vale
Já a Coracoralina amoena é considerada uma das plantas mais raras dos campos de Minas Gerais.
Os pequenos botões em tons claros crescem em áreas rochosas, onde o solo é fino e a água é escassa.
Por décadas acreditava-se que as plantas poderiam estar desaparecidas da natureza.
As descobertas, que fazem parte do Projeto de Conservação de Espécies Raras e endêmicas do Quadrilátero Ferrífero em andamento desde 2014, ocorreram em áreas protegidas pela Vale.
Ao todo, a empresa possuí 13 Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN), que ocupam uma área de mais de seis mil hectares na região.
As descobertas das espécies das plantas consideradas extintas fazem parte do Projeto de Conservação de Espécies Raras e endêmicas do Quadrilátero Ferrífero.
Divulgação/Vale
O material coletado das plantas foi enviado para o laboratório da Universidade de São Paulo (USP).
A expectativa é que sejam desenvolvidas técnicas de germinação e conservação genética, viabilizando avanços científicos inéditos para recuperação da biodiversidade.
A professora e doutora Maria Zucchi, da APTA Regional de Piracicaba, destacou que descoberta também irá fomentar o desenvolvimento sustentável e econômico das comunidades locais do Quadrilátero Ferrífero.
— O conhecimento será compartilhado, através de cartilhas e outros meios de comunicação, para uso por pequenos produtores e viveiristas, o que irá viabilizar o aumento da produção e distribuição dessas espécies — explicou Maria Zucchi.
Além da sobrevivência e reprodução de espécies raras, para a engenheira florestal da Vale, Ana Amoroso, o projeto irá contribuir para o desenvolvimento de planos de conservação e manejo, além de deixar um importante legado científico.
